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Tráfico de mulheres aumenta infectados com HIV na Índia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O tráfico de mulheres jovens que são forçadas a trabalhar como prostitutas foi identificado como o principal fator para o aumento da Aids na Índia. O país já tem cerca de 5,1 milhões de soropositivos – o segundo maior número no mundo depois da África do Sul. Algumas estimativas indicam que, em apenas seis anos, seriam 20 milhões de infectados. Em distritos como Sonagachi, em Calcutá, onde há pelo menos 10 mil prostitutas, alguns homens insistem em mater relações sexuais sem camisinha. As garotas provenientes do tráfico são obrigadas a aceitar. Muitas são originárias de vilas rurais e não sabem o que é Aids antes de serem vendidas. À medida que elas viajam pelo país, a doença é, inconscientemente, espalhada. No leste da Índia, Calcutá emergiu como o centro do tráfico de meninas, que também chegam do Nepal, Bangladesh e Mianmar. Elas são, geralmente, vendidas para bordéis em Mumbai. Algumas vão para o Oriente Médio, África e Europa. Bordel Aklina Khatoom, de 15 anos, é de uma vila fora de Calcutá. Com uma voz suave, ela lembra como, há um ano, uma mulher a drogou, a raptou e lhe vendeu para uma outra mulher em Mumbai. "Fui então informada que iria me tornar uma prostituta. Eu disse que não faria isso. Mas apanhei muito, todo o meu corpo era coberto de hematomas. Eles usaram varas de ferro quentes para me bater. Eventualmente, tive que concordar", contou. Aklina não podia escapar, já que era vigiada pela irmã da mulher que a vendeu. "Meu dia começava às seis horas da manhã e tinha de 12 a 14 clientes diariamente, terminando às três da madrugada." Sua sorte mudou quando um cliente permitiu que ela usasse seu telefone para ligar para os pais.
Finalmente, ela foi resgatada, mas seu sofrimento não havia terminado – havia o risco de infecção de Aids. De acordo com uma estimativa, 70% das prostitutas em Mumbai são infectadas pelo vírus. "Não sabia o que era Aids antes de ir para Mumbai", disse Aklina. "Uma vez que cheguei lá e fui para o bordel, fiquei sabendo e tinha medo que seria uma coisa que eu pegaria." "Depois que fui resgatada, voltei para casa e contei tudo para minha mãe. Ela me levou para o teste e, felizmente, foi negativo." Estigma Aklina é uma das mais de 300 jovens resgatadas dos traficantes por Swapan Mukherjee e sua organização, baseada em Calcutá, o Centro para Comunicação e Desenvolvimento. Pobreza e analfabetismo, geralmente, forçam famílias a levarem suas filhas a falsas promessas de trabalho ou casamento, disse Mukherjee. Em retorno, as famílias recebem menos de US$ 10 (R$ 27). Mesmo depois que elas são resgatadas, garotas como Aklina enfrentam o estigma de terem sido forçadas a trabalhar como prostitutas. Mas aquelas que são infectadas com o vírus HIV são completamente ignoradas. Quando Mukherjee permitiu que jornalistas entrevistassem algumas das mulheres resgatadas, suas franquezas tiveram resultados desastrosos. "Naquela época, eram 34 meninas que tínhamos resgatado. Uma das garotas que era analfabeta simplesmente disse 'sim, eu sou HIV positiva'. Quando isso apareceu nos jornais, os moradores da vila isolaram a família", contou Mukherjee. "Toda a família estava sendo terrivelmente ignorada, então, para salvar sua família, ela voltou para o bordel em Mumbai." A menina está agora morrendo. Recentemente, ela chamou Mukherjee, mas ele diz que é muito tarde para salvá-la. Medo Ainda pode haver tempo para ajudar garotas que estão trabalhando como prostitutas na Índia, mas será uma tarefa difícil. Em Sonagachi, em Calcutá, os esforços para promover o uso de camisinhas receberam atenção mundial. Swapna Gayen, uma das pessoas envolvidas no projeto, disse que as mulheres se negam a ter relação sexual com homens sem o uso do preservativo. Mas em uma visita a uma clínica no coração de Sonagachi, é possível verificar que esse não é bem o caso. Uma prostituta chamada Mitural, que disse ter 20 anos, embora aparentasse menos, estava lá para receber tratamento para sífilis. Ela nunca fez um teste de HIV. "Tenho medo de Aids. Sei o que é, mas o que acontece é que não temos clientes se usamos camisinhas", disse. "Já aconteceu comigo de ficar três ou quatro dias sem clientes, então tive que aceitar sexo sem camisinha." A má notícia é que a doença não está confinada apenas aos distritos de prostituição. O vírus está espalhando-se por toda a Índia – enquanto o tráfico de jovens continuar, haverá pouca esperança de que o número de infectados irá parar de crescer. |
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