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Atualizado às: 15 de novembro, 2004 - 23h21 GMT (20h21 Brasília)
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Análise: Falluja não será última batalha no Iraque

Soldado dos Estados Unidos em Falluja
Milhares de rebeldes estariam mobilizados no Iraque e devem tentar se reorganizar
A operação em Falluja foi necessária, mas não é a última no plano dos Estados Unidos e do governo interino do Iraque de estabelecer controle sobre todo o país.

A guerrilha está vivendo um auge no Iraque, e outras cidades ainda têm que ser pacificadas completamente – Mosul, no norte, dominada por sunitas, e Ramadi, a oeste de Falluja, são duas delas. Sem falar em Bagdá.

Falluja não vai por fim a esta guerra. Os insurgentes vão tentar se reorganizar.

As próximas semanas vão mostar se eles vão ter sucesso ou se o poder de fogo dos americanos e as futuras eleições vão diminuir a rebelião.

Milhares de rebeldes

Calcula-se que os insurgentes sejam cerca de 20 mil, mas ninguém sabe qual é o número exato. Em setembro, um general americano disse que eles podem ser 40 mil. Não é uma insurreição pequena.

A operação demonstrou uma nova determinação de comandantes americanos e do primeiro-ministro iraquiano interino, Ayad Allawi. Eles não vão repetir o erro do começo deste ano, quando cederam Falluja aos rebeldes.

Eles vão argumentar que a tática está funcionando, que pacificaram xiitas principalmente com negociação e que estão prontos para pacificar sunitas com combates.

Certamente, os americanos foram espertos em Falluja desta vez. Alertas antecipados podem ter deixado os comandantes rebeldes escaparem.

Mas eles também permitiram que civis deixassem a cidade, e isso pode ter diminuído o impacto negativo dos combates.

Eleições

 As eleições, marcadas para 27 de janeiro, são um elemento essencial da pacificação. Mas é difícil saber o que vão conseguir.

Os fuzileiros navais americanos que recuperaram o controle sobre Falluja podem estar refletindo sobre a declaração do presidente George W. Bush em primeiro de maio do ano do ano passado, segundo quem "as principais operações de combate no Iraque terminaram".

As eleições, marcadas para 27 de janeiro, são um elemento essencial da pacificação. Mas é difícil saber o que vão conseguir.

Um governo constitucional não deve ser eleito antes de dezembro do ano que vem.

O vice-primeiro-ministro do Iraque, Barham Salih, já disse que a eleição de janeiro pode não acontecer se a segurança não permitir.

Mas ele é curdo e sua cautela pode ter origem no temor de que os xiitas dominem a Assembléia Nacional, especialmente se os sunitas boicotarem as eleições.

Sunitas

Ainda é necessário muito trabalho para atrair os sunitas. Uma associação de intelectuais muçulmanos pediu um boicote.

Mas ela também tem apoiado os insurgentes. Então, talvez sua posição não seja surpresa. Essa opinião vai ter que ser mudada. E o tempo está passando.

Historiadores no Iraque relembram que, em 1920, Falluja era um símbolo da oposição iraquiana ao domínio britânico.

Juan Cole, professor de história na Universidade de Michigan, que tem uma coluna diária online com comentários sobre o Iraque, citou ninguém menos do que T. E. Laurence.

Em agosto de 1920, Laurence escreveu no Sunday Times: "O povo da Inglaterra foi levado a uma armadilha na Mesopotâmia, da qual vai ser difícil escapar com dignidade e honra. Eles foram enganados pela sonegação de informações. Os comunicados de Bagdá são tardios, fingidos, incompletos. As coisas eram piores do que nos contaram, nossa administração mais ineficiente do que o público sabe."

Os britânicos, no fim, impuseram ordem e um rei ao Iraque. Desta vez deve ser diferente.


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