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Efeitos da queda do dólar ainda não abalam emergentes | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A queda do dólar não afetou até agora a percepção de risco em relação aos emergentes e não causou movimentos bruscos na cotação dos papéis de dívida desses países. No entanto, a expectativa dominante entre analistas é de que o dólar continue em queda e ainda há incertezas sobre o modo como as economias americana e mundial vão reagir a esse processo que, se for gradual, pode levar ao equilíbrio. Se não, pode desembocar em uma crise. "O importante é que, até agora, a desvalorização do dólar não foi acompanhada de nenhuma perda de confiança nem nos Estados Unidos, nem nos mercados emergentes", diz Arturo Porzecansky, economista-chefe para mercados emergentes do Banco ABN Amro em Nova York "Se os emergentes e os Estados Unidos tiverem sorte, vamos ter um ajuste fiscal gradual que vai trazer de novo uma situação de equilíbrio", acrescenta Porzecansky. Brasil O economista-chefe para a América Latina do Banco HSBC, Paulo Vieira da Cunha, diz que ainda não vê sinais no horizonte de que alguma grande crise esteja se formando por conta da desvalorização do dólar. Para o analista, o Brasil está bem preparado se algum choque vier a ocorrer. "O Brasil está com as contas fiscais ajustadas e num processo muito importante também de fortalecimento das contas externas. Resta como único problema a inflação, que ainda pode ser um fator de incerteza", diz Vieira da Cunha. Durante o ano de 2004, o aquecimento da economia americana e sua absorção de importações foram um dos motivos por trás da recuperação econômica mundial. Se os americanos pretenderem reduzir seu déficit comercial - o que em alguma medida já vai acontecer naturalmente com a desvalorização do dólar - os países emergentes vão ter de buscar outras alternativas para compensar a perda de parte do mercado americano. "Boa parte da boa fase dos últimos meses para os mercados emergentes foi baseada em um aquecimento da economia mundial. É bom que estas economias olhem agora mais para os seus mercados domésticos para manterem a atividade econômica aquecida", diz David Wyss, economista-chefe da agência de classificação de risco Standard & Poor's. Para Arturo Porzecansky, este ajuste na balança comercial vai ter de se dar principalmente entre os Estados Unidos e os países asiáticos. "O déficit comercial americano é principalmente com a China e com os países do Sudeste Asiático. Estes países é que têm de deixar suas moedas se valorizarem um pouco em relação ao dólar também", avalia. Déficit fiscal Paulo Vieira da Cunha observa que cada vez menos os analistas acreditam na chance de um ajuste fiscal voluntário da parte do governo americano. "Um ajuste fiscal seria a maneira mais saudável de acertar as contas dos Estados Unido, com a ajuda de uma desvalorização gradual da moeda e uma recuperação na balança comercial. Até há cerca de uns seis meses havia a expectativa no mercado de que este poderia ser o caminho", diz Vieira da Cunha. O presidente Bush prometeu durante a campanha presidencial cortar o déficit americano pela metade nos próximos quatro anos. Mas muitos analistas dizem que vai ser difícil alcançar estes objetivos com os crescentes gastos militares e a intenção de Bush de tornar permanentes - ou mesmo ampliar - os cortes de impostos promovidos durante o primeiro mandato. Além disso, existe a grande preocupação com a crise pela qual pode passar a seguridade social nos Estados Unidos com o envelhecimento da população. No ritmo atual, a seguridade social americana deve ficar deficitária a partir de 2018. A queda do dólar no início desta semana reforça uma tendência de desvalorização da moeda americana que, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, deve continuar por algum tempo. "Acho que o dólar ainda vai cair cerca de 10% a 15% em relação ao euro e ao iene durante os próximos 12 meses", afirma David Wyss, economista-chefe . "O dólar passou muito tempo sobrevalorizado e agora é natural que fique desvalorizado por um período." |
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