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Caio Blinder: Bush e Kerry estão juntos na defesa dos interesses de Israel | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em uma decisão histórica e tempestuosa, o Parlamento israelense aprovou o plano do primeiro-ministro Ariel Sharon de retirada unilateral da Faixa de Gaza. Pela primeira vez foi aprovado o desmantelamento de colônias judaicas em território palestino. Em meio a uma tempestuosa campanha eleitoral, o presidente republicano George W. Bush e seu oponente democrata John Kerry "votaram" a favor do plano Sharon. Israel é um indiscutível ponto de consenso entre as duas campanhas. Em um jogada para atrair o voto judaico, que por norma é maciçamente pró-democrata, Bush sugere que Kerry não irá defender com o mesmo vigor da atual Casa Branca os interesses de Israel. Não faz sentido. Richard Holbrooke, cotado para ser o secretário de Estado em caso de vitória democrata, foi direto ao ponto. Afirmou que "Kerry apóia Israel na tradição de todos os presidentes americanos desde Harry Truman", em 1948, ano da fundação do Estado judeu. Barreira Além de respaldar o plano Sharon para Gaza, o candidato democrata apóia a construção da controvertida barreira de segurança israelense na Cisjordânia e promete manter o líder palestino Yasser Arafat no ostracismo. Kerry é muito cuidadoso para não criticar publicamente as linhas-mestras da política de Bush para o conflito israelo-palestino, que basicamente colocou em banho-maria as negociações de paz. O candidato democrata limita-se a criticar o fracasso da Casa Branca para indicar um enviado especial para a paz no Oriente Médio. As especulações são de que o ex-presidente Bill Clinton, que mediou conversações exaustivas no seu mandato, poderia ser indicado para a missão em um governo Kerry. Do lado israelense, há cuidado para não haver um envolvimento na campanha eleitoral americana, embora Sharon esteja muito afinado com Bush e se declare constantemente um grande aliado dos EUA na chamada guerra contra o terror. Como Tony Blair, Sharon está pronto para trabalhar com qualquer um que vier a ocupar a Casa Branca. O embaixador israelense em Washington inclusive deu um "briefing" a Kerry sobre o plano de desengajamento em Gaza. Já do lado palestino (e aqui o referencial é o establishment ligado ao isolado Arafat), também há uma preocupação formal de se adotar uma postura de neutralidade, mas Kerry é visto como o menor dos males. Em uma entrevista à BBC na semana passada, o ministro das Relações Exteriores de Arafat, Nabil Shaath, disse que não vislumbrava um futuro promissor para a paz no Oriente Médio em caso de reeleição de Bush. Tanto o presidente como Kerry sugerem que o plano Sharon, embora unilateral e controvertido, talvez abra alguma fresta diplomática na região. Pouco debate No geral, a questão palestina é um tema pouco debatido na campanha presidencial. Uma das razões é a competição entre republicanos e democratas para não confrontar a política israelense. Para os eleitores de origem árabe, Kerry também é visto como o menor dos males e compete por votos com o independente Ralph Nader, que é de origem libanesa. O empenho de Bush para melhorar sua cota de voto judaico, que foi de apenas 20% há quatro anos, causa alguma preocupação entre os democratas, especialmente porque o alvo republicano é a Flórida, que contém a segunda maior comunidade judaica nos EUA, após Nova York. Na terça-feira, horas antes da votação sobre o desengajamento em Gaza no Parlamento israelense, Clinton, de solidéu na cabeça, estava fazendo campanha por Kerry em uma sinagoga na Flórida. A esta altura, ninguém pode se desengajar da caça ao voto. |
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