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Eleição dos EUA é imensa caixinha de surpresas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na reta final da corrida presidencial americana há um ponto de concordância entre os corredores, técnicos, marqueteiros, palpiteiros e torcedores: que sufoco! Não é apenas uma questão das pesquisas mostrarem uma disputa muito apertada, mas de contradições entre as sondagens ou mesmo de volatilidade nos dados de um mesmo instituto de uma pesquisa para a outra. Como já existe uma fadiga de pesquisas é melhor nem mergulhar nas controvérsias sobre métodos. O cenário é tão imprevisível que uma surpresa pode ser uma vitória relativamente folgada a favor de George W. Bush ou de John Kerry. Números Isso porque a maioria das pesquisas está dentro da margem de erro mais comum de três pontos. Digamos que se as sondagens mostram o presidente republicano com 48% e o senador democrata com 46%, ou vice-versa, um dos dois candidatos pode terminar a corrida com uma vantagem de cinco pontos. Há também discrepâncias entre as pesquisas com eleitores registrados e aquelas com prováveis eleitores neste país em que o voto é facultativo. Obviamente não sabemos qual máquina eleitoral estará mais azeitada em 2 de novembro. Estrategistas republicanos minimizam a importância do eleitor indeciso, embora invistam nos Estados "indecisos". Eles martelam a base e num ato de fé prometem levar para votar 4 milhões de evangélicos que não compareceram quatro anos atrás. Os democratas também rezam pelo sucesso de algumas de suas estratégias. Apregoam que registraram mais novos eleitores e que esta onda vai levar o amante de windsurf John Kerry à vitória. 'Exército invisível' Mas o que garante integralmente que quem nunca votou votará agora? Na zona cinzenta, o jornal Washington Post fala que neste ano existe um exército invisível de eleitores. Não há ciência para determinar o que irá funcionar mais este ano: o entusiasmo pró-Bush ou o voto útil menos entusiasmado pró-Kerry. É possível, no entanto, ter mais crença em alguns fatores científicos do que em outros. As pesquisas sobre a chamada "horse race" (a corrida de cavalos) nem sempre são as mais ilustrativas, porque são muito voláteis. Há fatores mais confiáveis como a taxa de aprovação de um presidente em busca de reeleição. Precisa estar acima de 50%. Por este critério, como lembra a revista Business Week, Bush está à beira do precipício, a julgar pela média das pesquisas sobre sua taxa de aprovação. As pesquisas também indicam um eleitor azedo quando questionado se o país está no caminho certo. É um dado inquietante para o presidente. Patriotismo Não é à toa que os republicanos recorrem com excesso de zelo à mensagem patriótica nos dias finais da campanha. E um consolo para eles é a persistência das dúvidas se Kerry é o político ideal para colocar as coisas nos eixos. Como se vê, não estamos em terreno muito sólido na última semana completa de campanha. No jargão do Pentágono, a situação está fluida e as pesquisas conflitantes continuam confundindo. A caixinha de surpresas é imensa: o fator Osama? O papel de Clinton? Um atentado? Uma gafe monumental? Um escândalo de última hora? E eleição americana hoje parece ser um moto contínuo. As pesquisas são incessantes (vão até 1º de novembro), mas eleições antecipadas têm lugar em 32 estados, com estimativas de que até a data em si da votação já terão votado mais de 20% dos eleitores. Em alguns Estados "indecisos", como Wisconsin, o registro de novos eleitores é permitido inclusive no dia de votação. E a novela do ano 2000 mostra que eleição americana nem sempre tem data para terminar. A noite de apuração pode durar 36 dias. |
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