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UE e Mercosul adiam decisão sobre acordo comercial | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Representantes da União Européia e do Mercosul não conseguiram chegar a um consenso nesta quarta-feira para um acordo de livre comércio entre os dois blocos durante uma reunião em Lisboa. Depois das seis horas de discussões na capital portuguesa, nenhum dos lados utilizou a palavra fracasso para definir o resultado das negociações. “Nós concordamos que não havia, nem de um lado nem do outro, oportunidade para apresentar ofertas melhoradas”, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. O encontro contou com a presença de Amorim e dos outros chanceleres dos países do bloco sul-americano, além dos comissários europeus Pascal Lamy, do Comércio, e Franz Fischler, da Agricultura. Apesar da falta de acordo, a reunião estabeleceu o calendário dos próximos encontros. Os coordenadores da negociação vão se reunir em novembro e os ministros, em março de 2005. Pontos de concessão Sem novas ofertas sobre a mesa, os dois lados exploraram os pontos em que estariam dispostos a fazer concessões. Amorim deu alguns exemplos. “As flexibilidades indicadas já criarão um novo patamar para a negociação. O espírito não foi o de ‘vamos tentar obter alguma coisa a mais hoje para depois negociarmos a partir daí’”. “Por exemplo, eu indiquei algumas flexibilidades na área bancária e dos serviços financeiros no Mercosul. O (comissário) Pascal Lamy indicou algumas flexibilidades nas quotas, e em como elas serão administradas.” O chanceler considera que as conversas de Lisboa vão ajudar os próximos passos na negociação. “Nesse aspecto, nós temos um avanço no patamar mental, embora isso não esteja escrito em nenhum lugar. Com base nisso, há muito por fazer, mas percebe-se que há um esforço que já foi feito”, disse. O comissário Franz Fischler, por sua vez, disse que a decisão de adiar as negociações foi tomada devido à “ambição” de ambas as partes. “Nós poderíamos ter fechado um acordo pouco ambicioso e dentro de cinco anos voltar para negociar novamente ou tentar um acordo mais amplo. A opção foi por um acordo mais amplo”, disse. Sem mudanças O prazo para terminar a negociação era o final do mês, data em que a atual comissão européia termina o seu mandato. O francês Pascal Lamy será substituído pelo inglês Peter Mandelson. Segundo Lamy e Amorim, as negociações serão retomadas a partir do ponto em que ficaram, apesar de a última oferta do Mercosul afirmar expressamente que só era válida até 31 de outubro. “O pessoal técnico (responsável pelas negociações) é o mesmo e o mandato da comissão é o mesmo. Não haverá mudanças nessa área, apesar de mudar o comissário. Além disso, os comissários representam a vontade do conjunto dos países”, disse o comissário Franz Fischler, explicando a decisão de manter as propostas que já foram apresentadas. |
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