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Acordo Mercosul/UE seria milagre em reunião semana que vem, diz representante europeu | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor-geral da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia) para as relações com a América Latina, Tomas Dupla del Moral, disse nesta terça-feira que “só por um milagre” os ministros das Relações Exteriores do Mercosul chegarão ao acordo de livre comércio com o comissário europeu do Comércio, Pascal Lamy, em uma reunião marcada para a próxima quarta-feira em Lisboa. Durante um evento na capital portuguesa, Moral disse que a dificuldade é uma questão de prazo – já que as negociações para um acordo entre os dois blocos têm como data limite o dia 31 de outubro. “Há muito trabalho concreto para fazer e praticamente não há tempo para que, se chegarem a um entendimento, ele se transforme numa conclusão material. Um acordo tem um texto muito grande e não há tempo para redigir todos os aspectos técnicos”, disse. O ministro do Exterior português, Antônio Monteiro, disse por sua vez que acredita em “progressos concretos”, mas também não descartou que o prazo não seja cumprido. “Mesmo que não for a conclusão do acordo, os dossiês ficarão preparados para depois serem rapidamente concluídos.” Impasse Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula, também mostrou ter pouca esperança na possibilidade de as negociações ficarem concluídas ainda este mês. “Sei que o impasse continua grande. Há chances, porque o mundo atual se caracteriza por imprevistos, mas também há uma forte possibilidade de que não se chegue ao acordo”, disse ele. Garcia criticou as propostas européias. “Elas não foram convincentes. Houve casos em que a introdução de quotas para produtos agrícolas aparecia como uma coisa ridícula, porque já estamos exportando quatro vezes o que as quotas previam”. Entre as dificuldades, ele destacou uma flutuação na posição européia, apontando a França e a Espanha como países que apostaram contra a abertura do mercado agrícola. Do outro lado, apontou a Grã-Bretanha como menos engajada na preservação da Política Agrícola Comum. Do lado europeu, a crítica foi menos específica: “O Mercosul avaliou a nossa oferta como insuficiente. Para nós, pareceu-nos que a oferta que tínhamos sobre a mesa era suficiente”, afirmou Moral. Haveria pelo menos dois obstáculos para a continuidade das negociações depois do final do mês. O primeiro é que termina o mandato da atual comissão européia e o comissário Lamy será substituído pelo britânico Peter Mandelson, que poderia rever todo o processo. O segundo é que a proposta apresentada pelo Mercosul expira no dia 31 de outubro. “Mas acredito que isto é apenas uma postura nas negociações”, disse Moral. |
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