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Atualizado às: 19 de outubro, 2004 - 09h45 GMT (06h45 Brasília)
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Derrota de Bush causaria 'guerra civil' entre republicanos

Karl Rove, o principal estrategista da campanha de George W. Bush
A "revolução" de Karl Rove pode chegar ao fim em novembro
O resultado das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos é crítico para a sobrevivência dos dois principais partidos políticos do país: o democrata, de John Kerry, e o republicano, de George W. Bush.

Se os republicanos ganharem um segundo mandato e mantiverem a maioria no Congresso, os democratas provavelmente vão ficar afastados do poder pelo resto da década.

Por outro lado, se os democratas vencerem, isso representará o fracasso da doutrina Bush, iniciando uma "guerra civil" no Partido Republicano - como afirmou Pat Buchanan, ex-candidato republicanos à Casa Branca.

É difícil imaginar uma corrida política com maior importância que esta. É a primeira eleição nos Estados Unidos depois do 11 de Setembro. É um referendo sobre a maior operação militar americana desde o Vietnã e sobre o papel dos Estados Unidos no mundo.

Como um profissional da imprensa americana disse recentemente: "Só vai decidir o futuro do mundo livre".

Incendiando a base

No centro dessa titânica batalha está Karl Rove, o conselheiro político de Bush.

Rove criou uma estratégia política única em torno do presidente, que se concentra mais em agradar os conservadores sociais do que em tentar ganhar o apoio dos moderados.

É por isso que George W. Bush tem sido despreocupadamente conservador em quase tudo que tem feito, surpreendendo até mesmo os seus colegas de partido.

Bush tem adotado medidas com rigor contra as pesquisas com células-tronco, contra o casamento de homossexuais e contra o financiamento de clínicas de aborto no exterior. Ele se apresenta como um líder forte, determinado e, acima de tudo, com princípios.

Quando ataca seu oponente, acusando-o de ser um liberal na "extrema esquerda", Bush não está tentando ganhar o apoio dos eleitores indecisos. Ele está incendiando sua base.

A aposta

Liberal é uma daquelas palavras-chave que fazem com que conservadores sociais fiquem loucos. Karl Rove acredita que é possível ganhar mais votos aumentando o número de conservadores que vai às urnas do que tentando conquistar os indecisos.

Depois da última eleição, Rove notou que 4 milhões de conservadores evangélicos não votaram.

Manifestantes contrários à guerra
Democratas vão ter que decidir que rumo tomar em caso de derrota

Com um presidente como George W. Bush, Rove julga que é mais fácil empolgá-los do que empolgar os eleitores indefinidos, para quem a visão de Bush de que as pessoas "estão conosco ou estão contra nós" pode ser difícil de aceitar.

Se Rove está certo e isso garantir a reeleição de seu chefe, ele vai para o panteão dos grandes estrategistas políticos.

 As apostas não poderiam ser maiores. Por isso, não espere que tudo se resolva rapidamente. A menos que haja uma clara vitória no dia 2 de novembro, os dois lados vão travar uma longa batalha legal. Eles têm muito a perder.

Se ele fracassar, seu chefe vai ser lembrado como um presidente republicano de apenas um mandato que não teve impacto significativo na trajetória da filosofia republicana. É a diferença entre ser uma repetição de seu pai e ser um Ronald Reagan.

Conservadores dirão que a incomum mistura de cortes nos impostos e intervencionismo militar de Bush fracassou porque rompeu com a doutrina conservadora simples e direta de um governo pequeno, com disciplina fiscal e sem aventuras no exterior.

Muito a perder

Do lado democrata, o sucesso nestas eleições vai significar o mesmo: a prova de que a doutrina Bush foi uma experiência fracassada.

O fracasso democrata, contudo, vai fazer surgirem sérias dúvidas a respeito da viabilidade democrata como um partido.

Por que eles não escolhem um candidato populista? Os Estados Unidos deram uma virada permanente para a direita? O Partido Democrata precisa ser reinventado? Essas são algumas das questões que serão perguntadas.

O partido não tem a unidade coesa dos republicanos. Trata-se de uma aliança desigual, e às vezes irritada, de ativistas contrários à guerra, sindicalistas, aspirantes a yuppies, aposentados judeus e mães de família de classe média.

Alguns vão dizer que o partido precisa voltar às raízes, quaisquer que sejam elas. Outros vão dizer que o partido deve continuar adotando a abordagem centralizadora do ex-presidente Bill Clinton.

Qualquer que seja o resultado, vai ser extremamente doloroso para o lado derrotado.

As apostas não poderiam ser maiores. Por isso, não espere que tudo se resolva rapidamente. A menos que haja uma clara vitória no dia 2 de novembro, os dois lados vão travar uma longa batalha legal. Eles têm muito a perder.

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