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Segurança deve dominar visita de secretário americano ao Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário de Estado americano, Colin Powell, chegou na noite desta segunda-feira ao Brasil, onde os encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o chanceler Celso Amorim devem ser dominados pelo tema da segurança internacional. Oficialmente, a diplomacia americana cita a situação no Haiti e na Venezuela e a cooperação bilateral como temas da visita, enquanto o Itamaraty afirma que a agenda será extensa e aberta. A visita “é uma manifestação de um grande respeito à política brasileira, que ele fez questão (de realizar), mesmo sabendo que esteja talvez nos seus últimos momentos como chefe da diplomacia americana”, disse o ministro Marcelo Vasconcelos, chefe do Departamento das Américas do Norte, Central e Caribe do Itamaraty, referindo-se ao fato de possibilidade de mudanças no gabinete americano, mesmo que o presidente George W. Bush seja reeleito em novembro. A participação brasileira na mediação e solução de crises internacionais também deve ter destaque nas reuniões. Articulação regional “Os Estados Unidos desejam compartilhar responsabilidades no campo da segurança internacional e o Brasil está se candidatando como interlocutor, cumprindo papéis que correspondam à sua expressão de poder e aos recursos que o país detém. Não é um papel de grande potência, mas interessa aos Estados Unidos”, afirma Alcides Costa Vaz, diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (Unb). Ele ressalta que os Estados Unidos estão preocupados com o futuro do Haiti e o papel que o Brasil, como líder das tropas de paz da ONU, terá na recuperação do país. “Os principais desafios ainda estão por vir. Começa-se a identificar agora uma clara tendência de rearmamento de grupos dentro do Haiti”, alerta Vaz. Segundo o analista, em médio prazo, a liderança brasileira no Haiti, pode ajudar o Brasil em suas aspirações de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Na visão de Vaz, a vinda do secretário de Estado americano ao Brasil pode resultar na elaboração de uma agenda comum na área de segurança internacional e “definir com melhor clareza quais seriam os componentes mais imediatos de uma cooperação bilateral em matéria de segurança, com foco principalmente nas questões continentais e, claro, o grande tema da não-proliferação” nuclear. Rafael Duarte Villa, professor de relações internacionais do departamento de Ciências Políticas da USP, acredita que as discussões de segurança devem incluir também a questão da tríplice fronteira, com o Brasil pedindo esclarecimentos sobre as reais preocupações e planos americanos para a região e os americanos querendo mais explicações sobre a suposta movimentação de Organizações islâmicas na área. Antes de partir para Brasília para os encontros com Lula e Amorim, Colin Powell participa de um café da manhã com empresários em São Paulo e visita uma obra social com menores carentes. |
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