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Atualizado às: 05 de outubro, 2004 - 09h29 GMT (06h29 Brasília)
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Powell quer mais acesso de inspetores nucleares ao Brasil

Usina nuclear de Resende
O Brasil diz temer espionagem industrial
O secretário de Estado americano, Colin Powell, quer que o Brasil permita que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenha mais acesso à tecnologia nuclear do país.

Falando a jornalistas no avião a caminho do Brasil, ele deixou claro que não vê o programa nuclear do país como uma ameaça.

"Nós não temos preocupação com o fato de o Brasil estar caminhando na direção de algo além do uso pacífico da energia nuclear, claro, e de produzir seu próprio combustível para suas usinas nucleares. Não há preocupação com proliferação, de nossa parte", disse Powell aos repórteres que viajavam em seu avião.

"Acreditamos que eles deveriam trabalhar com a AIEA para satisfazer anecessidade de verificação da agência."

Sem recusa

Quando perguntado sobre a recusa do Brasil em marcar uma data para que inspetores internacionais tenham o acesso que desejarem a suas instalações nucleares, Powell pareceu minimizar suas preocupações.

"O Brasil não se recusou a deixar os inspetores entrar nas instalações", disse ele. "Uma equipe da AIEA deverá chegar em cerca de duas semanas."

Para Rafael Duarte Villa, professor de relações internacionais do departamento de Ciências Políticas da USP, a visita de Powell deve funcionar como uma maneira de pressão para que o Brasil assine o protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

"Acredita-se que uma negativa brasileira pode estimular outros países, como o Irã, a aprofundar suas pesquisas no desenvolvimento de programas nucleares”, disse Villa à BBC Brasil.

O protocolo adicional daria mais liberdades para que a agência nuclear da ONU realize inspeções mais intrusivas e sem aviso prévio.

Cooperação

Powell deve se reunir nesta terça-feira com o presidente Luís Inácio Lula da Silva e com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

A questão delicada das inspeções nucleares provavelmente vai figurar menos nas conversações de alto nível do secretário de Estado do que comércio e cooperação no âmbito regional.

As relações entre os Estados Unidos e o Brasil melhoraram muito no último ano.

Powell deu ao Brasil crédito pelo que chamou de seu importante papel de liderança no hemisfério e papel significativo também no cenário internacional.

Washington aplaude a habilidade diplomática do Brasil em aliviar a recente tensão política na Venezuela e o fato de que o Brasil recentemente assumiu o controle da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti.

Talvez os americanos tenham menor entusiasmo pela postura do Brasil em relação ao comércio, inclusive no que diz respeito às queixas do país por causa dos subsídios agrícolas nos Estados Unidos.

O maior elemento de barganha de Powell pode ser uma promessa de apoio para o Brasil em sua busca de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Até agora, contudo, há poucos sinais de uma promessa pública.

Indagado sobre o assunto, Powell disse que os Estados Unidos não adotariam mais posições em iniciativas individuais até que um painel de especialistas indicados pela ONU e que estudam reformas da organização anunciem suas conclusões.

*Colaborou Alexandre Mata Tortoriello, enviado especial a Brasília.

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