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Falta de segurança preocupa afegãos nas vésperas de eleições | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A população afegã e trabalhadores e empresas estrangeiras esperam que o presidente eleito na votação direta, que será realizada no próximo sábado, no Afeganistão, resolva, entre outras coisas, o problema de segurança no país. Os afegãos também esperam uma melhora na infra-estrutura local após estas que serão as primeiras eleições desde a queda do regime Talebã, há três anos. O americano Chris Humphries diz que sente medo por viver e trabalhar em uma das mais perigosas regiões do Afeganistão, a província de Zabul, onde ataques do Talebã são regulares. Por isso mesmo, Humphries admite não ter contado a sua família e amigos exatamente em que região trabalha. "Eu não quero que minha família fique preocupada", diz o americano. Reconstrução Humphries trabalha para a empresa de construção americana Louis Berger, responsável por um projeto de US$ 250 milhões para reconstruir os cerca de 400 km de estrada que ligam Cabul a Kandahar, no sul do Afeganistão. O trabalho está praticamente pronto. Mas, apesar de colocar na região centenas de seguranças, a empresa perdeu mais de 30 funcionários durante os 18 meses do projeto, a maioria devido a ataques de rebeldes. Humphries supervisiona uma área isolada da estrada, com 85 km, cercada por montanhas e deserto. Ele e Mike Jennings, também americano, são os únicos ocidentais que vivem na região. O campo de construção também é usado ocasionalmente por soldados americanos. O trabalho que ainda precisa ser feito envolve consertar áreas terminadas às pressas, devido à pressão do governo americano de que a estrada fosse aberta em dezembro de 2003. Por esse motivo, a estrada foi apelidada de George Bush. O governo americano estava desesperado em conseguir que um projeto financiado pelos Estados Unidos no Afeganistão ficasse pronto, para que pudesse afastar as críticas de que os esforços de reconstrução do país estavam paralisados. "É o projeto mais político que eu já fiz", diz Jim Myers, chefe das operações da Louis Berger no Afeganistão. Melhorias
Mas a estrada está fazendo diferença. "Eu demorava de dois a três dias para chegar a Cabul, agora só levo um dia", diz o motorista de caminhão Hamidullah. No norte do país, no entanto, a população reclama que todos os investimentos dos Estados Unidos foram feitos em estradas no sul, porque o presidente Hamid Karzai é da região. Para tentar abafar as críticas, Karzai foi ao norte do país no mês passado para divulgar um projeto de construção de uma nova estrada para o norte do país. Ele foi então criticado por usar viagens governamentais para fazer campanha. Segundo Myers, há uma nova preocupação no país – de que os investimentos que os americanos originalmente fariam no Afeganistão sejam destinados ao Iraque. Mas Patrick Fine, diretor da Agência Americana de Desenvolvimento Internacional em Cabul, que libera o dinheiro, nega as acusações. "Essa não é uma caracterização correta sobre a maneira que o governo americano faz financiamentos nem sobre qualquer fato da realidade", diz. Acidentes Fine acrescenta que os Estados Unidos cumprirão todos os projetos que foram designados. Com a abertura da estrada Cabul-Kandahar, outro problema emergiu: acidentes por velocidade. Os acidentes aumentaram agora que os motoristas podem dirigir a 120 km/h. Após presenciarem muitos acidentes, Chris Humphries e Mike Jennings decidiram montar uma clínica médica na beira da estrada. Eles pagam os remédios e o salário dos médicos. Assim como a incerteza no país, ainda não se sabe o que acontecerá com a clínica com a finalização completa da estrada. |
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