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Timor ainda depende totalmente de ajuda, diz Xanana | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cinco anos após a chegada das tropas de paz da ONU, o Timor Leste ainda se mantém basicamente com a ajuda dos órgãos internacionais. Mas, em entrevista à BBC Brasil, presidente Xanana Gusmão fez um balanço positivo da situação do país desde a independência em maio de 2002. "No aspecto político e de estabilidade, as coisas andam bem. No aspecto econômico, ainda estamos totalmente dependentes da ajuda externa dos doadores", afirmou. "O problema principal continua sendo a construção do Estado, o estabelecimento das instituições do Estado, estabelecimento das instituições que já existem mas que ainda faltam melhorar a capacidade." "O balanço é positivo levando em conta que nós partimos do zero, partimos do nada, num grande esforço de responder de forma minimamente possível as ansiedades e aspirações do nosso povo." Falta de arrecadação A situação fica mais difícil no país devido a falta de arrecadação. Gusmão diz que a dependência dos organismos internacionais é um problema a enfrentar nos próximos anos. "Nós não produzimos nada. Exportamos um pouco de café, mas é o mínimo de receita e de produção", afirmou. "Quando falo de dependência, me refiro mais à capacidade financeira do nosso Estado de começar a cumprir e implementar programas que beneficiem ou que dêem uma sensação que estamos criando as condições básicas para melhorar a vida da população", explicou. Brasil Desde a chegada da ONU no Timor Leste, em 1999, o Brasil vem participando do processo de recuperação do país. Além de ter tropas para ajudar na segurança da ilha, os brasileiros ainda trabalham no desenvolvimento de projetos educativos e de programas de qualificação profissional. Gusmão acha que o Brasil poderia fazer mais para ajudar o Timor. Mas, ao mesmo tempo, elogia a participação brasileira no processo de reconstrução da nação mais nova do mundo. "Desde 1999, o Brasil já investiu milhões em projetos, uns já completos e outros não. Temos tido ajuda no campo da Saúde, na Justiça, por exemplo. O Brasil continua a nos dar assistência na formação profissional, na educação, além das forças da ONU e das forças internacionais desde o início." "A distância que nos separa tem sido o obstáculo principal. Mas o carinho e a solidariedade do povo brasileiro continuam". "Eu estive com o presidente Lula em São Tomé e Princípe (durante a reunião de Cúpula dos Países de Língua Portuguesa) e ele me perguntou do que eu precisava. E eu pedi mais ajuda na educação. Ele prontamente me enviou um grupo de professores". Futuro Xanana Gusmão se diz triste com a situação de dependência do Timor Leste. Para ele, é fundamental caminhar com os próprios meios. "Eu, em mensagens para o nosso povo, sempre lembro que não podemos continuar dependentes. Precisamos ganhar uma mentalidade de independência. "Nós gostaríamos de ser o foco das atenções, o beneficiário mais importante, Prioridades Mesmo com todos os investimentos, o presidente acha que as prioridades ainda são tantas que não dá para escolher a mais importante. Para Xanana Gusmão, conseguir se manter é a grande meta. Uma das formas de conseguir renda pode ser o uso da arrecadação com a exploração de petróleo na costa do país. "Estamos estudando o caminho da sustentabilidade, o caminho que o petróleo nos pode dar, o que o petróleo pode nos causar como desvantagem. Da mesma forma que estamos com interesse na receita do petróleo estamos também com o receio que podermos cair na doença fácil, no vício fácil de usarmos tudo e usarmos mal. " Um dos grandes temores da população sempre foi a questão da segurança, a possível invasão do território pelos indonésios ou milícias armadas. Para o presidente, a população já está mais confiante. "Embora a preocupação de que alguns grupos armados possam vir e desestabilizar pode continuar a aflorar na mente das pessoas, principalmente nas comunidades ligadas à fronteira. Mas eu penso que todo povo já percebeu que a situação mudou", concluiu o presidente. |
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