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UE atrasa entrega de oferta para acordo com Mercosul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A apenas um mês da data prevista para o fechamento do acordo de livre comércio entre a União Européia (UE) e o Mercosul, o bloco europeu atrasou a apresentação das suas ofertas finais para o setor agrícola. O Mercosul enviou as suas ofertas complementadas aos europeus no último sábado, mas a UE ainda aguarda a aprovação de cada um dos estados membros para colocar as suas na mesa. Um dos principais negociadores do lado do Mercosul, o embaixador brasileiro junto às comunidades européias José Alfredo Graça Lima, considera bastante difícil que o acordo seja fechado na data prevista. “Eu fiz umas contas sobre a hipótese de concluir um acordo formalmente até 31 de outubro, diante de um quadro que não me parecia – e continua não parecendo –auspicioso para que esse objetivo possa ser atingido. Isso leva em conta o fato de ainda não ter uma oferta agrícola completa e mais definitiva sobre a mesa”, disse Graça Lima. Promessa quebrada Já Arancha Gonzalez, porta-voz do comissário europeu para o Comércio Pascal Lamy, nega que este momento seja de impasse. “Estamos analisando as ofertas do Mercosul para preparar as nossas propostas finais no mesmo nível de ambição”, disse Gonzalez. A afirmação, porém, é feita em um momento em que a UE não cumpriu o prometido. Há duas semanas, ficou acertado entre Lamy e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que as ofertas finais dos dois lados seriam trocadas simultaneamente. Apesar do compromisso bilateral, Bruxelas teve novamente acesso antecipado às concessões do Mercosul. “Talvez faça parte da forma como a UE está negociando a agricultura, uma coisa inédita para eles. Fica um pouco a sensação de que quando essa oferta for colocada sobre a mesa, ela não vai poder ser mais mudada, melhorada, e uma negociação deveria ir além disso”, observou Graça Lima. “A bola está claramento no lado europeu, o Mercosul já fez a sua parte”, acrescentou. O embaixador se refere às melhoras feitas pelo Mercosul na nova oferta, que prevê a liberalização de 90% dos bens importados da Europa pelo bloco sul-americano e reduz prazos para cortar tarifas. “Ainda ficam fora alguns químicos, alguns bens de capital e alguns têxteis argentinos, mas os 2,5% que faltavam para atingir 90% de liberalização são o produto do esforço mais recente do Mercosul para incluir produtos considerados sensíveis pelos quatro países do bloco”, explicou. OMC Os próximos passos das negociações, de acordo com Gonzalez, serão a entrega das ofertas da UE, previstas para quarta-feira, e a análise de cada um dos blocos das ofertas finais dos dois lados. “Só aí saberemos se existe base para seguir negociações para um acordo no dia 31 de outubro ou não”, afirma a porta-voz. “Agora eu continuo não vendo vantagens nenhuma para o Mercosul topar um acordo nessa base hipotética, porque a gente ainda não sabe qual é a oferta final (da UE)", disse o embaixador. "Eventualmente, nas negociações multilaterais você pode ter um ganho maior”, acrescentou Graça Lima, comparando com ganhos nas negociações dentro da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). |
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