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Mercosul se recusa a ceder à pressão européia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O embaixador Régis Arslanian, negociador do Brasil no Mercosul, defendeu a posição do bloco de não ceder à pressão européia e apresentar uma proposta apenas quando os europeus também apresentarem a sua na totalidade. “É preciso que a gente ponha todas as cartas na mesa. Não tenho outra palavra que não dizer que existe, evidentemente, um sentimento de frustração.” “Planejávamos ter reuniões até tarde da noite e terminamos a negociação na metade do terceiro dia (do total previsto de três) de trabalho”. “Na área mais importante para o Mercosul, justamente a área agricola, não houve avanço. Esperávamos que houvesse um aumento significativo das cotas, e não novas dificuldades e condições para apresentação das ofertas”. Impasse Com relação a fechar o acordo até outubro - quando termina o mandato da Comissão Européia - os dois lados disseram que estão esperançosos, mas demonstraram clara falta de sintonia. Enquanto a União Européia insistia em negociar caso a caso, o Mercosul defendia a necessidade de conhecer todo o conteúdo da oferta européia para avaliar seus custos e benefícios. A reunião terminou em um impasse, já que os coordenadores não tinham mandato para mudar as estratégias de negociação. As próximas reuniões marcadas são: uma rodada na semana do dia 13 de setembro (técnica) e outra para a semana do dia 20 (coordenação, como esta de Brasília). Até lá caberá ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e aos seus colegas do Mercosul definirem com o comissário de comércio europeu, Pascal Lamy, quais vão ser as regras do jogo. Às escuras “Não vamos mudar o método de negociação. Esperamos que eles cedam, que aceitem o procedimento que vinha sendo adotado até agora (de apresentação de propostas em bloco)”, disse Arslanian. “Se eles não cederem, a gente vai ver, mas não temos porque ceder. Não podemos fazer concessões às escuras ” “Não acredito em produtos light, nem em acordos light e não acredito que o Mercosul se interessará por um acordo sem açúcar e sem gordura”, ironizou o chefe dos negociadores europeus, Karl-Friedrich Falkenberg. “Tenho lido nos jornais muito sobre as flexibilidades do Mercosul e algumas delas parecem muito boas, só que é preciso levá-las à mesa de negociações.” |
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