|
Estado brasileiro é inchado, esbanjador e injusto, diz Economist | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com o títullo 'Inchado, esbanjador, rígido e injusto' a revista britânica The Economist desta semana traz reportagem sobre a enorme carga fiscal a ausência de retorno em programas sociais no Brasil. "Os brasileiros sofrem um peso de impostos de quase 40% do PIB. Mas todos esses gastos do governo trazem pouco bem-estar social", diz a publicação. A revista observa que autoridades e ministros falam muito sobre passar a gastar mais do dinheiro arrecadado com programas que beneficiem os mais pobres. Mas que, na prática, com muitos recursos pagando dívidas, aposentadorias ou sendo mal gastos com salários do funcionalismo público no Estado, sobra pouco para a atuação do governo federal. Ortodoxia elogiada Num editorial, porém, a revista - conhecida por sua defesa dos princípios do liberalismo econômico - argumenta que os últimos acontecimentos no Brasil provaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou ao optar por pagar as dívidas e seguir políticas econômicas ortodoxas. A publicação compara o país com a Argentina, que, diferentemente de Lula, decidiu enfrentar os credores com moratória após sua grave crise. "O Brasil vai melhor que a Argentina", observa a revista, "mas ainda precisa de reformas". Lula e o ministro da Economia, Antônio Palocci, "merecem o crédito por terem optado pelo rigor da ortodoxia econômica, honrando as dívidas e apertando as políticas fiscais". Segundo a revista, isso "tinha um custo" e Lula enfrentou a perda de popularidade decorrente da subsequente recessão – enquanto o presidente argentino, Nestor Kirchner, ganhou apoio dos argentinos ao preferir não honrar a dívida. Situação invertida Agora, argumenta a Economist, a situação teria se invertido. A recuperação argentina está mais lenta e o país terá problemas para convencer investidores a voltar a pôr dinheiro no país. Enquanto isso, "Lula começa a colher os frutos do rigor macroeconômico". A revista cita os dados de crescimento do PIB em 5,7% no segundo trimestre como um dos sinais positivos no Brasil. "O crescimento do Brasil parece ser mais sustentável que o da Argentina. Os investimentos aumentaram muito....Há uma chance real de que o balbuciante motor econômico da América do Sul comece a roncar." Cautela Apesar do tom otimista, a Economist cita no editorial três motivos de cautela com relação à economia brasileira. A primeira é que o "Brasil segue vulnerável a mudanças repentinas da economia mundial", como seria o caso, por exemplo, se os Estados Unidos elevassem demais a sua taxa de juros. A segunda ponderação da revista é que problemas no gerenciamento microeconômico ainda poderiam frear o crescimento do país. Por último, nota que o Brasil ainda segue muito endividado e tem que fazer um esforço fiscal enorme para conseguir os superávits necessários para o pagamento da dívida. O editorial completa que Lula deve evitar elevar impostos, que já são tão altos quanto aqueles nos países ricos, para conseguir levar adiante ao mesmo tempo o pagamento das dívidas e o investimento em programas sociais. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||