|
A Semana: Aiatolá mostra sua força com acordo em Najaf | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Durante três semanas, forças dos Estados Unidos controlaram boa parte da cidade iraquiana de Najaf, sobre a qual lançavam incessantes bombardeios noturnos. Enquanto isso, membros das forças iraquianas cercavam o santuário do imã Ali, no centro da cidade, enquanto seu governo interino ameaçava invadir o local. O objetivo era expulsar do santuário os militantes seguidores do clérigo xiita Moqtada Al-Sadr, que se firmou como o maior desafio ao poder recentemente instalado em Bagdá. Mas a solução não veio das mãos de americanos ou do primeiro-ministro Iyad Allawi. Depois de dias de combates e impasses, os insurgentes de Al-Sadr deixaram o local na sexta-feira após a intervenção direta do aiatolá Ali Al-Sistani, a maior autoridade religiosa xiita do Iraque. Desde que, meses atrás, Moqtada Al-Sadr lançou seu Exército Mehdi contra as forças americanas, sua prisão foi ordenada mais de uma vez. A administração americana tentou conter sua insurgência lançada no sul do país, sem sucesso. Depois da passagem do poder para o governo interino de Allawi, foi a vez de os iraquianos fracassarem. Com isso, o aiatolá Sistani, que estava em Londres recebendo tratamento médico, tornou-se a única esperança de uma solução pacífica. E foi das suas mãos que saiu o acordo. Na quinta-feira, Sistani chegou a Najaf. Em um encontro a portas fechadas, ofereceu a Al-Sadr garantias do governo iraquiano de que ele não seria preso e de que as tropas americanas deixariam Najaf. Al-Sadr, por sua vez, ordenaria seus militantes a deixar o santuário do imã Ali (local mais sagrado para os xiitas de todo o mundo, não apenas iraquianos) para que o local fosse controlado pelas forças policiais do Iraque. Ao longo da sexta-feira, o acordo parecia bem-sucedido. Fiéis emocionados voltavam ao santuário, enquanto as forças americanas encerravam o seu cerco. O aiatolá Ali Al-Sistani reafirmou sua força política no Iraque, e Moqtada Al-Sadr saiu da crise com sua milícia preservada e longe da prisão. Medo na Rússia Na noite de terça-feira, dois aviões de passageiros decolaram do aeroporto Domodedovo, em Moscou, capital da Rússia. Com destinos diferentes, nenhum deles completou a viagem. Os destroços do primeiro avião, com mais de 40 pessoas a bordo, foram encontrados a 150 quilômetros de Moscou, na região de Tula.
Outras mais de 40 pessoas morreram quando a segunda aeronave caiu perto da cidade de Rostov-on-Don, ao sul de Moscou. Isso depois de ter enviado o que seria um alerta de emergência para casos de seqüestro. A incrível coincidência fez com que a tese de um grande atentado logo se propagasse entre especialistas. Mas o governo russo, depois de iniciada uma investigação, dizia que ainda não havia indícios de um ataque. Na sexta-feira de manhã, o quadro mudou. O serviço de segurança da Rússia disse ter encontrado sinais de explosivos nos destroços de um dos dois aviões, no primeiro indicativo de que os quase cem passageiros teriam sido vítimas de um atentado. Horas depois, autoridades russas começaram a dizer que acreditavam que dois ataques derrubaram as aeronaves. Nenhum grupo assumiu a autoria dos possíveis atentados. Mas as suspeitas caíram sobre rebeldes chechenos, que no passado já fizeram ações militares espetaculares, como a tomada de um teatro em Moscou. A suspeita foi reforçada pelo fato de que, neste próximo domingo, a república separatista escolherá um novo presidente, em um pleito cujo vencedor será alguém próximo do presidente russo, Vladimir Putin. Putin, que chegou ao poder depois de, como primeiro-ministro, adotar a mão-de-ferro contra os separatistas da Chechênia, tem na segurança interna uma das principais bases de seu governo. Qualquer novo atentado de grande porte em solo russo pode trazer uma forte dor de cabeça para o homem-forte do Kremlin. Pressão sobre Cartum A semana que termina viu um aumento da pressão sobre o governo do Sudão para que encontre uma solução para a região de Darfur, no oeste do país. Cerca de 50 mil pessoas já morreram desde que conflitos entre rebeldes e milícias árabes foram iniciados no início do ano.
Recentemente, a ONU (Organização das Nações Unidas) deu um prazo de 30 dias para que o governo sudanês desarmasse as milícias. Esse prazo termina na próxima segunda-feira, quando o secretário-geral Kofi Annan fará um balanço da situação no país. Mas, pelo menos segundo a entidade Human Rights Watch, não houve muitos progressos. Na sexta-feira, o grupo disse que o governo de Cartum continua permitindo a ação das milícias, que estariam operando em pelo menos 16 campos em Darfur. Enquanto isso, cerca de 1 milhão de refugiados continuam lutando pela sobrevivência, no que a ONU já chamou de maior crise humana da atualidade. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||