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Atualizado às: 10 de agosto, 2004 - 14h53 GMT (11h53 Brasília)
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Sem futebol, cresce pressão sobre o vôlei, diz Bernardinho

O técnico Bernardinho (Foto: Wander Roberto/COB/Divulgação)
Bernardinho não quer falar em favoritismo do Brasil
Se os anos 90 foram os das conquistas inéditas para o voleibol brasileiro, a década atual é a dos recordes de vitórias.

A seleção masculina que o diga. Tetracampeã da Liga Mundial, 11 títulos em 13 torneios, três anos e meio sem estar fora dos pódios internacionais e invicta em jogos oficiais em 2004. O Brasil é campeão do mundo, da Liga Mundial, da Copa do Mundo e favorito para o ouro em Atenas.

Uma responsabilidade que o técnico Bernardinho tenta tirar da cabeça dos jogadores, mas que o capitão do time, Nalbert, assume emocionado.

"O que eu tenho a dizer é que não tem jeito (risos). O Brasil é isso mesmo: é emoção, é coração, é sangue, suor e lágrimas!", disse ele à BBC Brasil.

"A definição do Brasil é essa, não vai ser diferente agora. Tudo o que a gente ganhou foi difícil, não esperem que seja fácil, porque não vai ser. Mas a gente está preparado para as dificuldades, podem torcer que a gente vai chegar muito forte lá."

Centro das atenções

A seleção de vôlei será a melhor representação do esporte nacional na Olimpíada. É a única modalidade coletiva em que o Brasil possui uma medalha de ouro, conquistada em 1992 em Barcelona. E na ausência da equipe masculina de futebol, será o centro das atenções da torcida.

"Acho que os jogadores nem estão conscientes dessa pressão extra pela falta da seleção de futebol. E eu até prefiro mantê-los longe desse ambiente de favoritismo que a mídia está fazendo", disse o técnico Bernardinho.

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 Acho que nós somos um dos grandes destaques da delegação brasileira, com certeza. Mas não somos o maior destaque.
Nalbert

"Primeiro porque nem somos os maiores favoritos. Há times como a Itália, a Sérvia e a Rússia, que são muito fortes. E, se você lembrar, nós ganhamos muitos títulos, mas por uma margem mínima de pontos, que poderiam cair para qualquer lado", explicou Bernardinho.

Para o treinador e ex-jogador da seleção, o Brasil tem tantas ou até mais chances de ganhar a medalha de ouro com a equipe feminina de quadra e com as duplas de vôlei de praia.

Ele justifica a cautela reconhecendo que o time masculino tem de render ao máximo para conquistar uma vitória.

"Nós somos uma equipe que, para ganhar alguma coisa, tem que jogar 100%. Há outros times que, mesmo não jogando 100%, conseguem ganhar porque têm mais condições físicas, mais altura ou outras qualidades que nós não temos. Então só vamos conseguir alguma coisa em Atenas girando a 100%. Menos do que isso, para nós, é pouco", concluiu.

Favoritismo assumido

Se Bernardinho é o lado mental da seleção brasileira, o emocional é o capitão Nalbert.

Recuperando-se às pressas de uma lesão grave no ombro esquerdo, o jogador chega à Grécia ainda sem saber se estará fisicamente perfeito, mas confiante de que o time tem tudo para conquistar a medalha de ouro.

"Está tudo se delineando para um final maravilhoso. Seria a última coisa para concluir um ciclo olímpico perfeito. Para fechar com chave de ouro um ciclo em que a gente só teve vitórias", afirmou.

"Um campeonato mundial inédito, uma Copa do Mundo que também foi inédita, as Ligas Mundiais, Sul-Americano, Copa América, tudo! Só falta isso, que é o mais importante! E pelo trabalho que foi feito nesses três anos, e agora no quarto ano, eu tenho a certeza de que a gente vai chegar muito forte lá", completou o capitão.

Ao contrário do técnico Bernardinho, Nalbert admite o favoritismo, mas acha que o vôlei será apenas um dos centros das atenções da torcida brasileira, não a melhor representação do esporte nacional em Atenas.

"Acho que nós somos um dos grandes destaques da delegação brasileira, com certeza. Mas não somos o maior destaque. Está aí a Daiane dos Santos, de quem todo mundo espera mil coisas, tem o Robert Scheidt, que é heptacampeão mundial, tem o vôlei de praia, que é favoritíssimo também."

"Existe todo esse status do único esporte que conseguiu ganhar uma medalha de ouro coletiva e vamos tentar buscar a segunda. A gente tem tudo para consegui-la. Tenho a certeza de que esse grupo, se não levar o ouro, é porque o outro time que ganhar terá jogado muito melhor. Porque para ganhar da gente não vai ser fácil, não", avisa.

O levantador Maurício (Foto: Wander Roberto/COB)Vôlei
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Maurício (Foto: COB/Wander Roberto)Em áudio
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