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Atualizado às: 04 de agosto, 2004 - 18h23 GMT (15h23 Brasília)
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ONG de direitos humanos defende ação internacional no Sudão

Cerca de um milhão de pessoas teriam deixado as suas casas para fugir da violência em Darfur
A ONU estima que cerca de 50 mil pessoas tenham sido mortas
O Sudão precisa de ajuda internacional para controlar a crise humanitária, desencadeada pela guerra civil no país, apesar dos protestos populares em contrário, segundo o coordenador da campanha da ONG Human Rights Watch, Iain Levine.

"É difícil enxergar como as violações (de direitos humanos) vão acabar sem haver um tipo de envolvimento por parte da comunidade internacional", afirmou Levine, em entrevista ao programa De Olho no Mundo, uma co-produção da BBC Brasil com a Rádio Eldorado.

Milhares de pessoas saíram nesta quarta-feira às ruas de Cartum, a capital do Sudão, numa passeata de apoio ao governo e de repúdio ao envio de tropas de outros países.

Para Levine, é "compreensível" que a população sudanesa resista a uma intervenção estrangeira.

"Não digo que tenha que ser uma intervenção militar, mas tem que haver uma participação internacional em todo o processo de resolver o problema de Darfur, tanto no nível político, como no nível dos direitos humanos e no nível humanitário."

"Uma intervenção militar internacional seria o último recurso", afirmou Levine.

50 mil mortos

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 50 mil pessoas tenham sido mortas e mais 1 milhão deslocadas de suas casas no conflito de Darfur, definido pela organização como "a pior crise humanitária do mundo".

No conflito – que se soma a outro mais antigo no sul do país – milícias árabes se opõem a grupos negros que se rebelaram contra o governo.

Embora relativamente poucos em número, os membros da milícia – chamada Janjaweed – estão bem armados e têm movido uma campanha de limpeza étnica contra rebeldes e civis negros, que inclui assassinatos, estupros e destruição de vilas inteiras.

A Human Rights Watch divulgou na semana passada um relatório acusando o governo sudanês de apoiar essas milícias – acusação que é negada pelas autoridades sudanesas.

A organização também é crítica da resolução da ONU aprovada na semana passada, que estabeleceu um prazo de 30 dias para que o governo do Sudão desarme as milícias.

Segundo Levine, o texto é fraco e ainda não está claro se surtiu efeito sobre as autoridades.

Lentidão

O ativista reconhece a melhora do acesso de agências humanitárias à população, mas diz que o progresso é "muitíssimo limitado" em termos de "segurança, da proteção dos civis e dos direitos humanos."

Levine disse ainda que a situação no Sudão mostra que, passados dez anos do genocídio de Ruanda, a comunidade internacional aprendeu muito pouco a proteger as vítimas de violações de direitos humanos.

"A reação a Darfur tem sido extremamente lenta e ainda não tem a força necessária para proteger a vida das pessoas. Ainda falta muito."

Levine se mostrou favorável a uma cooperação entre países ocidentais que relutam em se comprometer a enviar tropas ao Sudão e à União Africana, que já tem observadores em Darfur e anunciou nesta quarta-feira que vai enviar dois mil homens à região sudanesa.

"Nós sabemos que a União Européia tem fundos para ações de manutenção de paz no nível regional. A possibilidade de haver apoio financeiro e até apoio logístico, por exemplo da UE, para que a União Africana possa colocar tropas no campo, seria muito importante."

Levine, como outros especialistas no assunto, acredita que tropas de países africanos seriam mais aceitáveis ao governo do Sudão do que tropas da Europa ou dos Estados Unidos.

O ativista da Human Rights Watch classificou a iniciativa da União Africana de enviar tropas como "um passo à frente", mas disse que 2 mil soldados podem fazer pouco numa região do tamanho da França em plena guerra civil.

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