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Polícia de Washington aposta na informação contra o crime | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Enquanto a Casa Branca e o Congresso discutem em Washington como melhorar a coleta e análise de informações - ou inteligência - para combater o "terrorismo", a polícia da capital americana faz o mesmo para enfrentar os crimes comuns na cidade. Embora já não tenha mais o título - que chegou a deter nos anos 80 e 90 - de cidade mais violenta dos Estados Unidos, a capital ainda tem uma alta taxa de assassinatos, que acontecem principalmente nos bairros negros e mais pobres, na região sudeste. Crimes contra a propriedade acontecem mais nos bairros ricos. O chefe de polícia de Washington, Charles Ramsey, diz que o projeto que teve mais sucesso nos últimos anos foi o sistema de informações que permite à polícia saber, diariamente, qual a cara do crime em cada região da cidade. "Introduzimos recentemente um sistema de coleta de dados que nos fornece diariamente um relatório com os índices de criminalidade cada área da cidade", diz Ramsey. "Sabendo exatamente qual o perfil do crime a cada dia, conseguimos deslocar policiais de outros recursos de maneira muito mais eficiente", diz o chefe de polícia. "Há dez anos, tínhamos 400 assassinatos por ano em Washington. No ano passado, tivemos cem e neste ano estamos projetando uma queda de 25% neste número", acrescenta Ramsey. Progresso Ramsey diz que o número de mortes ainda é alto, mas que os índices mostram "significativo progresso". "Washington não é uma cidade mais violenta do que outros grandes centros urbanos, mas como somos a capital, as coisas aqui chamam mais atenção", justifica. O chefe de polícia observa que Washington também registra a tendência de redução nos índices de criminalidade captados por estatísticas nas principais cidades americanas desde meados da década passada. "Mas, enquanto na maior parte dos Estados Unidos a redução consistente no crime começou em 1994, aqui em Washington ela demorou um pouco mais. Começamos a perceber um declínio nas taxas em 1997, um ano antes de eu assumir a chefia da policia", diz Ramsey. Tendência Ramsey diz que cada grande cidade tomou suas medidas específicas para reduzir o crime, mas identifica alguns fatores comuns, que reforçaram a tendência em todo o país. "O aumento no policiamento comunitário, que atingiu seu pico nos anos 90, é sem dúvida um deles", afirma o policial. "Em todo o país, a polícia passou a procurar ter um contato mais próximo e uma linha de comunicação direta com as comunidades que está servindo." "A melhora na economia e o envelhecimento da população (jovens entre 14 e 25 anos formam o grupo mais propenso a cometer crimes) também podem ser fatores importantes", acrescenta Ramsey. Terrorismo Ramsey diz que, para o futuro, a policia da capital tem de se preparar para identificar e combater as conexões entre o "terrorismo" e os crimes comuns. "Se os terroristas têm a intenção de ter um pé nos Estados Unidos, eles vão começar a recorrer aos crimes comuns, como roubo de carros, tráfico de drogas e tráfico de pessoas. Já há grupos que usam crimes assim como fontes de financiamento para atividades terroristas", afirma. O chefe de polícia admite que a atenção maior à prevenção a atentados – desde os ataques de 11 de setembro de 2001 – pode ter prejudicado o combate ao crime, em algumas cidades. "Os recursos tiveram de ser remanejados do combate ao crime para o combate ao terrorismo. Acho que agora as coisas estão voltando a uma situação de equilíbrio", diz. Mas Ramsey afirma que este impacto não foi sentido em Washington. "Como estamos na capital, agências federais (como o FBI e o Serviço Secreto) nos deram grande reforço, desde o início", conclui. |
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