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Atualizado às: 06 de agosto, 2004 - 14h01 GMT (11h01 Brasília)
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Para ONU, redução da violência depende da sociedade brasileira

Polícia guarda armas recolhidas em campanha de desarmamento
Desarmamento tem alcance limitado, diz representante da ONU
O representante do Escritório das Nações Unidas contra a Drogas e Crimes (UNODC, na sigla em inglês) para o Cone Sul, Giovanni Quaglia, afirma que a sociedade civil tem um papel fundamental na redução da violência no Brasil e pede que a população se recuse "a alimentar o crime organizado".

"É muito fácil culpar a polícia por tudo que há de errado. A polícia deve ser um último recurso", afirma Quaglia.

"Mas se a população continua comprando todos os produtos que o crime organizado oferece, é obvio que o crime organizado vai se fortalecer. Por isso, temos que sensibilizar a população."

"O que se compra barato hoje, amanhã pode sair muito caro. O barato não paga imposto e enfraquece a capacidade de investimentos do governo em programas sociais."

Assassinatos

Para o represenante da ONU, a criminalidade no Brasil corresponde aos padrões internacionais, desde que não se analise os números de homicídios.

"A grande diferença está na taxa de homicídio, que aqui no Brasil está entre as mais altas do mundo, mas, no resto dos crimes, estamos dentro da média internacional."

"A média européia é de cerca de cinco homicídios para cada 100 mil habitantes, enquanto aqui no Brasil estamos em torno dos 30, mesmo patamar da Colômbia e de algumas cidades da África do Sul. Na Argentina, a taxa também é bem menor, ficando entre 10 e 15 homicídios por 100 mil habitantes."

Armas apreendidas
Para Quaglia, desarmamento não funciona contra crime organizado

Giovanni Quaglia diz que esse quadro pode melhorar com o sucesso da campanha de desarmamento, mas adverte que a iniciativa tem um alcance limitado, já que atinge o cidadão comum, que eventualmente tem uma arma em casa, mas não o crime organizado.

"A idéia é que essa campanha seja um primeiro passo, mas só uma pequena parte das armas será entregue. Como segundo passo será preciso oferecer outro tipo de incentivo", afirma o especialista da ONU.

"É uma excelente iniciativa, mas terá apenas resultados parciais. Ela não vai funcionar com quem mais queremos desarmar, que são os traficantes e outras organizações criminosas."

Por isso, Quaglia diz que programas como o da polícia do Rio de Janeiro, que dá prêmios em dinheiro para policiais que apreendem armamentos, são considerados mais eficazes.

Drogas

Entre as medidas consideradas importantes pela ONU para dar mais segurança à população estão a elaboração de um programa mais eficiente de proteção à testemunha, que possibilitaria a obtenção de informações mais qualificadas para alimentar serviços de inteligência mais completos.

Quaglia avalia o crime como uma grande rede de negócios ilegais com ramificações em vários ramos de atividade, como tráfico de drogas, armas e pessoas, lavagem de dinheiro, seqüestros, entre outros.

 O ponto fraco em todo mundo hoje é na redução da demanda por drogas, bem como de todos os produtos que alimentam o crime organizado.
Giovanni Quaglia, representante da UNODC para o Cone Sul

"O bandido é como qualquer empresário, ele procura as atividades que dão lucro. Quando você deixa espaço vazio, é aí que a criminalidade toma conta", afirma.

"Pensar que o crime organizado desaparecerá no momento em que você (eventualmente) legalizar as drogas é pura ilusão, porque os criminosos traficam diferentes bens", diz o representante da ONU.

"Pode ser que eles tenham dificuldades no início, mas depois se voltarão para outras atividades como roubo, tráfico de seres humanos e seqüestros."

Quaglia diz que a conscientização da população é importante para que o crime seja combatido pelo lado da demanda, já que a oferta de produtos ilícitos é mais difícil de ser controlada.

"Tráfico de armas e drogas são questões muito complicadas. Mesmo os países de primeiro mundo, que têm muito mais recursos e pessoal bem pago e treinado, têm limitações no trabalho da repressão", avalia.

"E o ponto fraco em todo mundo hoje é na redução da demanda por drogas, bem como de todos os produtos que alimentam o crime organizado."

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