 | | | Mais de dez mil compareceram à cerimônia no Vaticano |
O Vaticano beatificou 498 católicos executados durante a Guerra Civil da Espanha, neste domingo, na praça de São Pedro, na maior cerimônia do tipo já realizada. A maioria das vítimas - quase todas membros do clero - foi morta no início do conflito, em 1936, por milícias que lutavam pelo governo republicano. E foram considerados "mártires" pela Santa Sé. A iniciativa causou polêmica na Espanha, pois para muitos ela reconhece apenas vítimas de um dos lados do conflito, que dividiu profundamente o país. Dezenas de milhares de republicanos espanhóis foram mortos por forças nacionalistas durante a Guerra Civil, que durou três anos, e levou ao estabelecimento da ditadura de Francisco Franco. Mas o Vaticano disse que o ato não etá ligado a "ressentimento", mas a "reconciliação". A Igreja Católica esteve muito próxima das forças direitistas do general Franco, que impôs quase 40 anos de ditadura no país. O governo espanhol foi representado na cerimônia de domingo pelo ministro do Exterior, Miguel Ángel Moratinos. O primeiro-ministro Rodríguez Zapatero recusou o convite do Vaticano. Seu avô, o capitão Lozano, foi fuzilado durante a Guerra Civil por se negar a apoiar o golpe militar. Segundo estimativas, cerca de 500 mil pessoas morreram durante o conflito e 450 mil foram exiladas. Francisco Franco, que iniciou o golpe militar em 1936, morreu em 1975. |