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Atualizado às: 29 de maio, 2007 - 16h38 GMT (13h38 Brasília)
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Darfur: EUA adotam mais sanções contra Sudão
Refugiado de Darfur (Foto de Arquivo)
Cerca de dois milhões de pessoas abandonaram suas casas na região
O presidente americano, George W. Bush, anunciou nesta terça-feira novas sanções contra o Sudão por causa da contínua violência em Darfur.

Em um discurso na televisão, o presidente dos Estados Unidos descreveu a situação na região - uma província semi-árida no oeste do país - como genocídio e pediu ao presidente sudanês que deixe forças de paz da ONU entrarem em Darfur.

Os americanos vão ainda fazer pressão para que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma resolução punindo Cartum e mencionando o presidente Omar al-Bashir.

Washington vai proibir empresas americanas de fazer negócios com o país e vai punir indivíduos suspeitos de cometer violência em Darfur.

A China, uma das principais compradoras de petróleo do Sudão, disse que as sanções vão apenas complicar o problema.

"Sanções e pressão não vão resolver o problema", disse Liu Guijin, representante da China na questão de Darfur.

Mais de 200 mil pessoas foram mortas e cerca de dois milhões abandonaram suas casas em meio às disputas entre grupos árabes janjaweed, apoiados pelo governo, e grupos rebeldes em Darfur.

Sanções

"As ações do presidente Bashir nas últimas semanas seguem um padrão de prometer cooperação enquanto ele encontra novos métodos de obstrução", disse Bush em seu discurso nesta terça-feira.

As sanções, agora mais rigorosas, reforçam outras impostas em 1997. Elas entrarão em vigor imediatamente.

De acordo com as sanções anteriores, companhias sudanesas não podiam usar a moeda americana, dificultando o comércio internacional.

Os efeitos das medidas, no entanto, foram limitados, já que a China tornou-se um dos maiores parceiros comerciais do Sudão.

Segundo o correspondente da BBC para assuntos diplomáticos Jonathan Marcus, o presidente americano tentou deixar espaço para que o novo secretário da ONU, Ban Ki-moon, lidasse com a situação.

Mas agora Bush parece estar perdendo a paciência, diz o correspondente.

Para Marcus, não é claro, no entanto, que efeito as novas sanções poderão trazer.

O governo do Sudão condenou as medidas.

"Acho que estas sanções não são justificadas. Não é um bom momento", disse Mutrif Siddig, do ministério das Relações Exteriores do Sudão, à agência de notícias Reuters.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, aprovou as novas sanções.

"O que está acontecendo no Sudão não é aceitável", disse um porta-voz de Blair.

ONU

A ONU está aumentando a pressão sobre o governo do Sudão para que ponha fim ao conflito, que vem devastando a região desde 2003.

Na sexta-feira, o Conselho de Segurança endossou propostas para que tropas de paz da ONU e da União Africana protejam civis e usem força para impedir a violência.

É preciso, no entanto, que a China - que tem poder de veto no Conselho de Segurança - concorde com as propostas.

Até agora, o país vem se opondo ao uso de sanções para forçar o presidente Bashir a aceitar as tropas de paz da ONU.

O governo chinês vende armas para o Sudão e compra mais da metade do petróleo vendido pelo país, além de ter investido milhões na infra-estrutura petrolífera do Sudão.

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