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Atualizado às: 28 de abril, 2007 - 13h33 GMT (10h33 Brasília)
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Governo turco adverte militares por ingerência
Militar turco em frente a bandeira do país
O comunicado do Exército foi visto como ingerência na política
O governo da Turquia, controlado por um partido islâmico, advertiu neste sábado os militares do país, que haviam manifestado preocupação com o processo em curso para eleição do presidente e prometeram defender o secularismo no país.

A União Européia já havia advertido as Forças Armadas, que no passado já promoveram golpes de Estado no país, a não intervir na política turca.

Em um comunicado após a primeira rodada da eleição presidencial no Parlamento, na sexta-feira, na qual o candidato do governo ficou a poucos votos da vitória, o Exército disse que defenderia o sistema secular do país.

O ministro da Justiça, Cemil Cicek, disse que a intervenção do Exército é “inconcebível em um Estado democrático”. “O chefe do Estado-maior é subordinado ao primeiro-ministro”, afirmou.

Na primeira rodada de votações no Parlamento para a eleição do presidente, o candidato do governo, Abdullah Gul, ficou a poucos votos de ser eleito.

Gul, que também é ministro das Relações Exteriores, recebeu 357 votos – apenas dez a menos do que os dois terços necessários para vencer já na primeira votação.

O principal partido secular da Turquia boicotou a votação e disse que contestará a eleição na Justiça.

Identidade nacional

O secularismo é considerado fundamental para a identidade turca como nação. O país foi fundado em 1923 como um Estado laico pelo general Mustafa Kemal Ataturk, no que havia sido o Império Otomano.

A intenção de Ataturk era que essa nação de maioria muçulmana fosse um país moderno e secular, introduzindo reformas amplas que incluíam a emancipação das mulheres, a introdução de vestimentas ocidentais, do alfabeto latino e de um código legal baseado nos ocidentais, além da abolição das instituições islâmicas.

O partido islâmico Justiça e Desenvolvimento, no poder desde 2002, afirma respeitar os princípios do secularismo previstos pela Constituição, mas os opositores acusam a agremiação de ter um suposto projeto islâmico.

O atual governo promoveu uma série de reformas democráticas durante seus cinco anos no poder, mas a oposição cita as tentativas de criminalizar o adultério e de indicar um presidente do Banco Central muçulmano como sinais do suposto projeto islâmico do partido.

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