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Atualizado às: 31 de janeiro, 2007 - 23h38 GMT (21h38 Brasília)
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'Poder popular' pode gerar conflitos entre chavistas, diz analista

Apoiadores de Hugo Chávez durante sessão especial da Assembléia Nacional da Venezuela
Lei foi aprovada em sessão na Praça Bolívar, no centro de Caracas
O poder outorgado ao presidente venezuelano Hugo Chávez pela denominada Lei Habilitante - sancionada na manhã desta quarta-feira em uma sessão extraordinária -, tem gerado polêmica. Com a aprovação, Chávez, recebeu poderes especiais para governar por meio de decretos nos próximos 18 meses.

A nova lei autoriza o presidente venezuelano a ditar decretos com força de lei em 11 áreas, entre elas o funcionalismo público, o setor econômico e social, infra-estrutura, segurança pública e ciência e tecnologia.

A reestatização de companhias de energia elétrica e da empresa de telefonia do país deve estar incluída na pauta dos novos decretos.

Na opinião dos analistas ouvidos pela BBC Brasil, entre os decretos que poderão ser anunciados pelo presidente, o mais significativo e que também poderá gerar conflitos internos nos setores chavistas é referente ao denominado “poder popular”, que poderá desafiar os atuais líderes políticos.

Participação popular

Durante o primeiro mandato de Chávez, o poder estava distribuído entre o presidente e duas burocracias, a do Estado e a partidária.

“Com a proposta de ampliação do poder popular, Chávez derruba o Muro de Berlim que o separava da população e se aproxima mais”, afirma o analista político Alberto Garrido.

A ampliação da denominada participação popular se concretizaria pela ampliação do trabalho dos Conselhos Comunitários já existentes no país.

Esses conselhos são semelhantes ao sistema de Orçamento Participativo realizado no Brasil. A diferença é que essas estruturas não estão vinculadas diretamente às prefeituras ou governos locais e sim à Presidencia da República.

Esse seria o ponto conflitivo, já que as autoridades locais poderiam sofrer com a diminuição de suas responsabilidades, o que poderia significar também redução do poder.

“Haveria uma substituição de dirigentes políticos, o que podería gerar conflitos internos nos setores chavistas”, comenta Garrido, ao considerar a ascenção de novos líderes populares.

Atalho

Muitos perguntam por que Chávez quer governar por decreto, se todos os parlamentares da Assembléia Nacional apóiam o governo e, por conseqüência, poderiam aprovar as novas leis necessárias estabelecer o anunciado “socialismo do século 21”.

Alberto Garrido diz que a nova lei serve de atalho para o governo Chávez. “No parlamento há burocracia, as discussões tomam tempo. A Lei Habilitante é um atalho e acelera o processo revolucionário que Chávez pretende implementar.”

Para a historiadora Margarita López Maya, da Universidade Central da Venezuela, a Lei Habilitante reduz a importância da Assembléia Nacional, submetendo os deputados às “tarefas menores, a elaborar leis assinadas pelo presidente”.

A estudante Mariela Garcia não encontra problema na redução de poderes dos parlamentares.

“Os deputados não servem, levam anos para aprovar uma lei que beneficie o povo. Chávez canaliza nosso sentimento e vai acelerar o processo de mudanças no país” disse Garcia à BBC Brasil, enquanto aguardava a aprovação da lei, em sessão realizada na Praça Bolívar, no centro de Caracas.

Nova institucionalidade

Chávez tem anunciado que pretende romper com a velha institucionalidade e fundar um novo Estado para eliminar a burocracia e a corrupção.

A historiadora Margarita Lópes Maya concorda que os decretos a serem criados por Chávez tendem a romper com a institucionalidade. No entanto, Lopez Maya questiona a metodologia e o excesso de poder concentrado na figura do presidente venezuelano para concretizar tais mudanças.

“Chávez adota uma lógica de que é preciso avançar rápido, mas não podemos esquecer dos processos de discussões e debates que são necessários”, diz Margarita López Maya.

A seu ver, há um mal-estar interno crescente. “Ainda que as forças políticas estejam de acordo com o projeto de Chávez, podem estar em desacordo com a forma como o está conduzindo”, afirma a historiadora.

Oposição

Enquanto isso, os grupos de oposição a Chávez continuam sem resposta às novas propostas do governo.

Para os analistas, esse setor não representa mais um fator de preocupação do governo.

Para Alberto Garrido, a oposição já não tem poder de convocatória e a credibilidade de seus líderes é questionada.

“Enquanto Manuel Rosales (ex-candidato presidencial) estava de férias no fim do ano, Chávez estava anunciando reformas. Essa é a diferença”, diz Garrido.

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