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Atualizado às: 11 de janeiro, 2007 - 12h36 GMT (10h36 Brasília)
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Etiópia condena ex-líder socialista a prisão perpétua
Mengistu Haile Mariam
Zimbábue declarou que não extraditará Mengistu para a Etiópia
Um tribunal da Etiópia sentenciou a prisão perpétua, por genocídio, o ex-líder do país entre as décadas de 70 e 90, Mengistu Hailé Mariam.

Mengistu, que vive no Zimbábue desde que foi deposto, em 1991, foi declarado culpado em dezembro, ao final de um julgamento que durou 12 anos.

Mas o Zimbábue anunciou que não extraditará o ex-líder etíope, suscitando temores de que ele acabe escapando de cumprir a pena.

Mengistu, que faz 70 anos neste ano, se recusava a reconhecer a legalidade do tribunal que o julgou, e dizia que havia sido deposto por mercenários e colonizadores.

As evidências contra ele incluíram ordens de execução assinadas, vídeos de sessões de tortura e depoimentos pessoais.

'Terror Vermelho'

O ex-líder governou o país entre 1974 e 1991, depois que ele e uma junta militar conhecida por sua sigla, Dergue, depuseram o então imperador do país, Hailé Selassié.

No auge das tensões da Guerra Fria na África, Mengistu declarou a Etiópia uma República Socialista e, com o apoio de Cuba e da União Soviética, impediu uma invasão da Somália e de aliados capitalistas.

Durante o chamado período do Terror Vermelho, em 1977 e 1978, o regime promoveu uma campanha de perseguição a opositores, em que milhares de suspeitos foram caçados e executados. Seus corpos eram jogados nas ruas.

Ao longo de sua duração, o regime foi sendo corroído por combates separatistas contra forças da Eritréia - hoje um país independente do restante da Etiópia.

Em 1991, com o fim do apoio soviético, a região separatista conseguiu derrotar as forças de Mengistu, que fugiu para o Zimbábue.

Desde então, o país de Robert Mugabe tem negado repetidos pedidos de extradição do ex-líder etíope.

Ausência

O julgamento dos dirigentes do antigo regime etíope foi realizado à revelia de muitos dos réus.

Apenas 33 estavam presentes no tribunal para receber as sentenças.

Ao longo do processo, 14 morreram e 25, incluindo o próprio Mengistu, foram julgados à revelia.

A correspondente da BBC Amber Henshaw disse que muitos na Etiópia acreditavam que Mengistu e seus aliados poderiam ser condenados à pena de morte.

Mas ao final o tribunal rejeitou o pedido da acusação e decidiu expedir sentenças mais brandas, considerando a idade e o estado de saúde dos réus.

A maioria dos réus recebeu prisão perpétua. Quatro foram condenados a até 25 anos de prisão.

Segundo a correspondente, réus, vítimas e parentes demonstraram pouca reação quando as sentenças foram pronunciadas.

Os acusados foram considerados culpados de aprisionamento, homicídio e confisco ilegal de propriedades.

tropas do governo da SomáliaSomália
Conheça os detalhes do conflito no país do leste africano.
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