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Etiópia condena ex-líder socialista a prisão perpétua | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um tribunal da Etiópia sentenciou a prisão perpétua, por genocídio, o ex-líder do país entre as décadas de 70 e 90, Mengistu Hailé Mariam. Mengistu, que vive no Zimbábue desde que foi deposto, em 1991, foi declarado culpado em dezembro, ao final de um julgamento que durou 12 anos. Mas o Zimbábue anunciou que não extraditará o ex-líder etíope, suscitando temores de que ele acabe escapando de cumprir a pena. Mengistu, que faz 70 anos neste ano, se recusava a reconhecer a legalidade do tribunal que o julgou, e dizia que havia sido deposto por mercenários e colonizadores. As evidências contra ele incluíram ordens de execução assinadas, vídeos de sessões de tortura e depoimentos pessoais. 'Terror Vermelho' O ex-líder governou o país entre 1974 e 1991, depois que ele e uma junta militar conhecida por sua sigla, Dergue, depuseram o então imperador do país, Hailé Selassié. No auge das tensões da Guerra Fria na África, Mengistu declarou a Etiópia uma República Socialista e, com o apoio de Cuba e da União Soviética, impediu uma invasão da Somália e de aliados capitalistas. Durante o chamado período do Terror Vermelho, em 1977 e 1978, o regime promoveu uma campanha de perseguição a opositores, em que milhares de suspeitos foram caçados e executados. Seus corpos eram jogados nas ruas. Ao longo de sua duração, o regime foi sendo corroído por combates separatistas contra forças da Eritréia - hoje um país independente do restante da Etiópia. Em 1991, com o fim do apoio soviético, a região separatista conseguiu derrotar as forças de Mengistu, que fugiu para o Zimbábue. Desde então, o país de Robert Mugabe tem negado repetidos pedidos de extradição do ex-líder etíope. Ausência O julgamento dos dirigentes do antigo regime etíope foi realizado à revelia de muitos dos réus. Apenas 33 estavam presentes no tribunal para receber as sentenças. Ao longo do processo, 14 morreram e 25, incluindo o próprio Mengistu, foram julgados à revelia. A correspondente da BBC Amber Henshaw disse que muitos na Etiópia acreditavam que Mengistu e seus aliados poderiam ser condenados à pena de morte. Mas ao final o tribunal rejeitou o pedido da acusação e decidiu expedir sentenças mais brandas, considerando a idade e o estado de saúde dos réus. A maioria dos réus recebeu prisão perpétua. Quatro foram condenados a até 25 anos de prisão. Segundo a correspondente, réus, vítimas e parentes demonstraram pouca reação quando as sentenças foram pronunciadas. Os acusados foram considerados culpados de aprisionamento, homicídio e confisco ilegal de propriedades. |
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