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Atualizado às: 30 de novembro, 2006 - 18h43 GMT (16h43 Brasília)
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Bento 16 visita mesquita em Istambul
Bento 16 é o segundo líder da Igreja Católica a entrar numa mesquita
Bento 16 é o segundo pontífice a entrar numa mesquita
O papa Bento 16 visitou nesta quinta-feira a Mesquita Azul, durante a sua passagem por Istambul, na Turquia, no que foi visto como mais um esforço de reconciliação com os muçulmanos, predominantes no país.

O pontífice havia se indisposto com os adeptos da religião em setembro ao reproduzir declarações de um imperador bizantino que sugeriam que o Islã era violento e irracional. Embora Bento 16 já tenha se retratado publicamente, a sua visita foi recebida com protestos por parte da comuninada muçulmana da Turquia.

Bento 16 é o segundo líder da Igreja Católica a entrar em uma mesquita. João Paulo 2º, seu antecessor, havia visitado uma em Damasco, na Síria, em 2001.

Antes da visita à Mesquita Azul, o papa esteve na sede do Igreja Ortodoxa na Turquia, onde disse ser um "escândalo" os cristãos estarem divididos.

"As divisões que existem entre cristãos são um escândalo para o mundo", afirmou Bento 16, referindo-se ao cisma entre católicos e ortodoxos ocorrido há cerca de mil anos por causa de divergências que incluíam o alcance da autoridade papal.

Segundo Bento 16, que fez da reunião dos cristãos um dos principais objetivos do seu papado, a divisão é um obstáculo à pregação do Evangelho.

O pontífice foi convidado a visitar a Turquia justamente para promover uma reaproximação entre as duas Igrejas.

Mas o correspondente da BBC na Turquia diz que, depois da polêmica de setembro, o objetivo da visita tornou-se também afastar a imagem de Bento 16 dos comentários interpretados como antiislâmicos.

Valores cristãos

O pontífice também fez um apelo para que a Europa resgate "tradições e valores" cristãos que, segundo ele, remetem às origens da civilização do continente.

O papa também apoiou a inclusão da Turquia na União Européia, defendendo, em declaração conjunta com o patriarca Bartolomeu, o respeito aos direitos humanos e à liberdade de religião.

Em uma declaração conjunta, Bento 16 e o patriarca Bartolomeu 1º, líder espiritual dos cristãos ortodoxos, rejeitaram o conceito de matar em nome de Deus, condenaram o terrorismo, reafirmaram o desejo de reunificar as suas igrejas e condenaram a violência na Terra Santa.

A União Européia, que deverá decidir no fim deste mês se continua com as negociações sobre a adesão do país ao bloco, quer que a Turquia assegure liberdades para todas as suas minorias religiosas.

O papa também esteve no museu Hagia Sofia, que foi construído originalmente como uma igreja, convertido em mesquita no século 15 e transformado em museu durante as reformas de secularização da Turquia na década de 20.

A visita do papa a Istambul, maior cidade da Turquia e palco do maior protesto contra a visita dele ao país na semana passada, foi marcada por um forte esquema de segurança, que envolveu toda a polícia local.

A visita ao museu constituía um dos maiores temores por causa da desconfiança de parte da comunidade muçulmana de que o Vaticano queira retransformá-lo em uma igreja.

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