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Atualizado às: 23 de novembro, 2006 - 18h35 GMT (16h35 Brasília)
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Candidatos à Presidência encerram campanha no Equador
Rafael Correa, candidato à presidência do Equador
Rafael Correa promete rever contratos de multinacionais
Os candidatos à Presidência do Equador, o nacionalista Rafael Correa e o conservador Álvaro Novoa, encerram nesta quinta-feira suas campanhas de olho no voto dos indecisos - que podem decidir o resultado de uma disputa que, de acordo com as últimas pesquisas, permanece em aberto.

O segundo turno da eleição, no domingo, marca o final de uma campanha muito acirrada em um país marcado pela instabilidade política, onde sete presidentes passaram pelo poder nos últimos dez anos.

Noboa, o candidato liberal, é um dos maiores milionários do Equador, dono de uma das maiores exportadoras de bananas do mundo, enquanto Correa foi ministro das Finanças do país.

De acordo com a agência de notícias Reuters, os dois candidatos aparecem empatados na última pesquisa de intenção de voto divulgada no país, embora os últimos levantamentos indiquem que cerca de 20% dos eleitores permanecem indecisos.

A última pesquisa indica que Correa recuperou terreno em relação a Noboa, que estava cerca de quatro pontos à frente.

O avanço de Correa, de acordo com observadores, se deu depois que ele diminuiu as críticas aos Estados Unidos e tomou distância do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Críticas mútuas

Noboa e Correa intensificaram o tom das acusações mútuas nos últimos dias.

Noboa diz que o seu rival vai penhorar a Venezuela, transformando o país em um lugar onde “Chávez será o rei e Correa, o vice-rei”. O presidente venezuelano rebate as críticas, dizendo que Noboa é um “fundamentalista de direita”, que teria feito sua fortuna às custas do trabalho infantil.

Mesmo após ter amenizado o discurso em relação aos Estados Unidos, Correa deixa claro que sua vitória vai distanciar o Equador de Washington. Ele promete, por exemplo, cancelar um acordo militar que mantém uma base americana no país, como parte do combate ao narcotráfico.

“Só manteremos a base se os americanos concordarem em fazer uma base americana em Miami”, diz Correa, em tom de piada, enquanto Noboa acena com a renovação do acordo por mais uma década.

Além da troca de farpas, os dois candidatos sustentaram suas campanhas em promesas de melhorias sociais, como combate ao desemprego, melhor habitação e saúde, mas não foram claros o suficiente para dizer de onde viriam os recursos para tais projetos.

Polarização

Durante a campanha, Noboa mantém doou cadeiras de rodas, dinheiro, computadores e empunhou a Bíblia publicamente. Ele promete fazer com que “seis milhões de equatorianos desempregados passem à classe média” e quer construir 300 mil casas por ano. Seu discurso o apresenta como um representante do livre-mercado, se contrapondo à ideologia “comunista” do rival.

Ele conta com a vantagem da maioria que seu Partido de Ação Nacional de Renovação (Prian) conquistou nas eleições legislativas de outubro, e diz que, caso vença, oferecerá garantias às companhias multinacionais.

Do outro lado, Correa promete uma revisão dos contratos feitos com companhias estrangeiras, e a exemplo do que aconteceu na Bolívia de Evo Morales, argumenta que o Equador deve ter um maior controle sobre os seus recursos naturais como o petróleo.

O país produz 540 mil barris do produto diariamente.

Correa vem alertando os seus simpatizantes a manter a vigilância sobre a transparência da eleição e evitar uma repetição do que ele alega ter sido uma fraude no primeiro turno, marcado por problemas na apuração que estava sob encargo da empresa brasileira E-Vote.

Mais da metade da população de 13 milhões de pessoas do Equador vive com menos de US$ 2 (cerca de R$ 4).

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02 de novembro, 2006 | Notícias
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