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Atualizado às: 20 de novembro, 2006 - 14h33 GMT (12h33 Brasília)
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Piora estado de saúde de ex-agente russo envenenado
Alexander Litvinenko
Alexander Litvinenko é um crítico ferrenho do presidente Putin
Um ex-coronel da KGB exilado na Grã-Bretanha e envenenado pelo metal altamente tóxico tálio voltou para a unidade de terapia intensiva em um hospital de Londres.

Alexander Litvinenko, de 43 anos - um crítico ferrenho do presidente russo Vladimir Putin -, ficou doente depois de se encontrar com um contato em um restaurante de comida japonesa no dia 1º de novembro.

O estado de Litvinenko é grave, porém estável. Médicos afirmam que ele foi transferido para a unidade de terapia intensiva como medida de prevenção, depois de ter apresentado uma leve piora.

O toxicologista clínico John Henry afirmou que ele foi envenenado com uma dose potencialmente letal de tálio.

Alex Goldfarb, que visitou Litvinenko no hospital, afirmou que seu amigo foi envenenado porque era um crítico do governo russo.

Goldfarb revelou que os médicos disseram a ele que as chances de sobrevivência de Litvinenko eram de 50%.

"Claro que não temos nenhuma prova, a não ser que ele se encontrou com algumas pessoas naquele dia. Na verdade, ele teve alguns encontros nos quais ele consumiu bebidas, e esse veneno poderia ter sido colocado ali", disse Goldfarb à BBC.

Encontro

Litvinenko estava investigando a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, que criticava o governo Putin e a política da Rússia para a Chechênia. Ela foi morta a tiros no prédio onde morava em Moscou, em outubro.

Litvinenko disse à BBC na semana passada, antes que seu estado de saúde se agravasse, que seu contato o procurou e disse que precisavam conversar.

"Ele me deu alguns papéis que continham alguns nomes - talvez os nomes de pessoas que podiam estar envolvidas no assassinato de Anna Politkovskaya, e várias horas depois do encontro eu comecei a me sentir mal."

Depois de duas semanas, sua saúde piorou e o ex-agente russo foi hospitalizado.

O toxicologista John Henry disse que Litvinenko estava "muito doente" e que "não havia dúvidas" de que ele tinha sido envenenado com tálio, provavelmente no dia 1º de novembro.

O médico afirmou que o tálio é "um pouco parecido com sal" e uma pequena quantidade pode ser fatal.

"Não tem gosto, cor ou odor. Uma quantidade pequena, parecida com aquela pitada de sal colocada na comida, pode matar", acrescentou.

'Especial'

O empresário russo Boris Berezovsky, que também vive na Grã-Bretanha, disse que o tálio era um veneno "especial", que "não pode ser conseguido em farmácias".

"Pode-se afirmar que está disponível apenas para serviços secretos", disse.

Litvinenko fugiu da Rússia e conseguiu asilo político na Grã-Bretanha em 2001.

A Scotland Yard confirmou que está investigando uma "suspeita de envenenamento", mas não foram feitas prisões e a investigação continua. No domingo, policiais interrogaram Litvinenko no hospital por várias horas.

Oleg Gordiesvsky, outro ex-coronel da KGB, conhece Litvinenko e disse que ele provavelmente foi envenenado quando bebeu chá no apartamento de um velho amigo da Rússia - antes do encontro em um restaurante japonês.

Litvinenko escreveu um livro no qual alegou que agentes do serviço que substituiu a KGB, o Serviço de Segurança Federal da Rússia, coordenaram os ataques a um prédio de apartamentos russo, em 1999, no qual mais de 300 pessoas morreram.

Autoridades russas culparam separatistas chechenos pelo ataque e, naquele ano, o governo lançou uma nova ofensiva militar contra a Chechênia.

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