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Atualizado às: 26 de outubro, 2006 - 03h02 GMT (00h02 Brasília)
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Promotores argentinos acusam Irã de atentado em 94
Atentado contra a Amia, em Buenos Aires
Atentado realizado em Buenos Aires foi o pior da história argentina
O governo iraniano e o grupo militante xiita libanês Hezbollah foram acusados formalmente pelo atentado a bomba de 1994 contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em Buenos Aires.

Os promotores argentinos responsáveis pelo caso pediram a prisão do ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani e de outros sete funcionários do governo iraniano na época, além de Imad Fayez Moughnieh, integrante do Hezbollah.

O promotor-chefe, Alberto Nisman, acusou as autoridades iranianas de ordenarem que o Hezbollah executasse o ataque, o mais grave da história argentina.

Segundo o promotor, a decisão de realizar o atentado foi tomada em agosto de 1993, e as autoridades iranianas "encomendaram ao Hezbollah a organização e a execução".

Tanto o Irã quanto o Hezbollah negam envolvimento no atentado, realizado na manhã de 18 de julho de 1994, no qual 85 pessoas morreram e 300 ficaram feridas.

Em Beirute, um porta-voz do Hezbollah negou as acusações, afirmando tratarem-se de um "complô sionista" contra o grupo e o Irã.

Ninguém nunca foi condenado pelo ataque, mas o governo atual da Argentina diz que está determinado a garantir que a Justiça seja feita.

Segundo o documento de 800 páginas divulgado nesta quarta-feira, o grupo que cometeu o atentado entrou na Argentina em 1º de julho de 1994 e deixou o país no mesmo dia do ataque.

O documento afirma ainda que a Embaixada do Irã em Buenos Aires ffuncionou como uma "central de inteligência" no processo de preparação do atentado.

Nesta quarta-feira, a embaixada disse que não faria nenhum comentário imediato sobre o documento.

Investigação sem resultados

Ao longo dos anos, o caso foi marcado por acusações de incompetência e poucos resultados concretos.

Personagens menores, como o policial que vendeu a van usada no atentado, foram indiciados, mas ninguém foi condenado.

Grupos judaicos argentinos sempre disseram que o ataque tinha a marca de militantes islâmicos apoiados pelo Irã - que negou repetidas vezes qualquer envolvimento no caso.

Em novembro do ano passado, um promotor argentino disse que um membro do Hezbollah estava por trás do atentado e havia sido identificado em uma operação conjunta entre o serviço de inteligência argentino e o FBI.

O Hezbollah, no entanto, afirmou que o homem, Ibrahim Hussein Berro, havia morrido no sul do Líbano em luta contra Israel.

O atentado da Amia não foi o primeiro realizado contra um alvo judeu em solo argentino.

O atentado a bomba à Embaixada Israelense em Buenos Aires de março de 1992, no qual morreram 29 pessoas, ainda permanece sem solução.

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