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Atualizado às: 14 de outubro, 2006 - 03h15 GMT (00h15 Brasília)
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Líder do Sendero Luminoso é condenado à prisão perpétua
Abimael Guzmán
Abimael Guzmán foi preso em 1992 e julgado por tribunal secreto
O fundador do grupo rebelde Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, foi condenado nesta sexta-feira pela acusação de "terrorismo" e sentenciado à prisão perpétua por um tribunal no Peru.

O veredicto demorou mais de cinco horas para ser lido. Durante o anúncio da sentença, Abimael Guzmán permaneceu imóvel, com os braços cruzados.

Elena Iparraguirre, companheira de longa data de Abimael Guzmán e segunda figura mais importante no comando do Sendero Luminoso, também foi condenada à prisão perpétua.

Durante um período de 12 anos entre as décadas de 80 e 90, o grupo rebelde liderado por Abimael Guzmán comandou uma rebelião que deixou cerca de 70 mil mortos.

Em 2003, uma comissão encarregada de investigar o conflito acusou o Sendero Luminoso de ser o responsável por mais de 31 mil mortes naquele período.

Tribunal militar

Ex-professor de filosofia, Abimael Guzmán foi preso em 1992 e condenado em seguida à prisão perpétua por um tribunal militar secreto.

A sentença, no entanto, acabou anulada em 2003 pela Suprema Corte do Peru, que considerou o processo anterior "inconstitucional" e determinou a realização de um novo julgamento.

O advogado de Guzmán argumentava que seu cliente deveria receber uma anistia por causa da violação de seu direito de ser submetido a um processo justo.

A primeira tentativa de realização de um novo julgamento, em 2004, terminou em confusão depois de Guzmán começar a gritar versos comunistas diante das câmeras de televisão.

Para evitar que o episódio se repetisse, camêras e gravadores foram proibidos na sala do tribunal durante as audiências seguintes.

Massacre

O novo julgamento durou cerca de um ano e foi realizado na base naval de alta segurança onde o líder do Sendero Luminoso permaneceu preso desde 1993.

Sobreviventes de um massacre comandado pelo Sendero Luminoso no vilarejo andino de Lucanamarca, onde 69 pessoas foram mortas, se reuniram do lado de fora da base naval para exigir punição máxima aos acusados.

Abimael Guzmán, que se descreveu no início do julgamento como um "combatente revolucionário", afirmava que o massacre foi uma resposta a uma "ação militar reacionária".

Estima-se que centenas de rebeldes do Sendero Luminoso ainda estejam ativos no sul e no sudeste do Peru, mas o poder do grupo é hoje bem menor e as autoridades afirmam que o risco de novos ataques é pequeno.

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