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Atualizado às: 20 de setembro, 2006 - 05h21 GMT (02h21 Brasília)
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Militares reforçam poder depois de golpe na Tailândia
Golpe na Tailândia
O general Sonthi Boonyaratglin fez um pronunciamento na TV
Líderes militares da Tailândia começaram na madrugada desta quarta-feira a consolidar seu poder, depois de um golpe de Estado contra o primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, na terça-feira.

Enquanto Shinawatra estava em Nova York, para participar da 61ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), militares de seu país anunciaram ter suspendido a Constituição e declarado lei marcial.

Soldados invadiram o Palácio de Governo na capital, Bangcoc, e tanques tomaram posições ao redor do prédio.

Encontros políticos com mais de cinco participantes foram banidos.

Os líderes do golpe anunciaram que comandantes regionais tomarão conta de áreas fora da capital, Bangcoc.

Em um comunicado transmitido pela televisão, o chefe do Exército, general Sonthi Boonyaratglin, disse que o golpe de Estado foi necessário para unir o país.

Os militares não têm intenção de permanecer no poder, segundo o general, e pretendem devolver o poder ao povo assim que possível.

Os rebeldes visitaram o rei Bhumibol Adulaydej e declararam lealdade a ele.

Em um breve comunicado pela TV, no qual apareciam ao fundo retratos gigantes do rei Bhumibol Adulaydej e da rainha, o general disse que as políticas do primeiro-ministro Shinawatra criaram graves divisões no país.

"O governo do primeiro-ministro causou uma divisão sem precedentes na sociedade, com ampla corrupção e nepotismo, e interferiu em organismos independentes, impedindo que cumprissem suas funções", disse o general.

Golpe na Tailândia
Tanques tomaram ruas de Bangcoc

"Eles também insultaram repetidas vezes o rei. Por isso, este conselho precisava tomar o poder para controlar a situação, para restabelecer a normalidade e para criar uma unidade o mais rápido possível."

O primeiro-ministro tailandês cancelou o discurso que faria na Assembléia Geral da ONU na terça-feira.

Ainda não se sabe se ele pretende retornar à Tailândia.

O rei Bhumibol Adulaydej, que é profundamente reverenciado pelos tailandeses, não esclareceu se apóia o golpe ou não.

O mercado de ações, bancos e escolas da Tailândia estrarão fechados nesta quarta-feira, que foi declarada feriado nacional.

Canais internacionais, como a BBC e a CNN, foram tirados do ar, e as estações de TV tailandesas exibiam imagens da família real e tocavam canções patrióticas.

Apesar da tensão política, as ruas em Bangcoc estavam calmas na terça-feira, segundo correspondentes da BBC na capital tailandesa. Moradores misturavam sentimento de calma, curiosidade e temor.

O trânsito fluía pelas ruas normalmente e, nos bares do centro da cidade, turistas estrangeiros pareciam alheios ao desenrolar dos eventos políticos.

Repercussão

O golpe provocou reações negativas na comunidade internacional.

A presidência finlandesa da União Europeia expressou preocupação com os eventos, enquanto os Estados Unidos recomendaram aos tailandeses que "resolvam suas diferenças políticas de maneira pacífica" e disseram estar monitorando a situação.

A Austrália manifestou "profundo pesar" pelo golpe, e países europeus, incluindo França e Alemanha, expressaram preocupação e aconselharam os cidadãos tailandeses a serem cautelosos.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a organização apóia mudanças de governo por meios democráticos, e não sob a mira de armas.

Correspondentes dizem que rumores de um possível golpe já circulavam nas últimas semanas.

O correspondente da BBC em Bangcoc, Johnathan Head, disse que grupos próximos ao rei Bhumibol vinham exercendo pressão pela renúncia de Shinawatra, depois do impasse criado quando a eleição de abril foi declarada inválida.

O partido do premiê, Thai Rak Thai, teve 57% dos votos, mas o resultado foi amplamente contestado, e a Corte Constitucional considerou a eleição inválida.

Numa tentativa de diminuir a pressão sobre seu governo, Shinawatra convocou eleições parlamentares repentinamente, mas a oposição se recusou a tomar parte no pleito e milhões de eleitores protestaram.

Supunha-se que a crise tinha sido superada com as negociações apontando para uma nova eleição a ser realizada ainda neste ano.

O porta-voz do governo tailandês, Surapong Suebwonglee, falando de Nova York, disse estar confiante de que o golpe irá falhar.

Há 15 anos a Tailândia não assistia a um golpe de Estado, embora vários tenham sido realizados ao longo da história do país.

Tanque em Bagcoc, capital da TailândiaTailândia
Militares assumem controle do governo; veja fotos.
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