BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 15 de setembro, 2006 - 17h26 GMT (14h26 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Muçulmanos exigem pedido de desculpas do papa
Protesto na Caxemira contra declarações de Bento 16
Um comunicado do Vaticano não foi suficiente para aplacar as reações de líderes islâmicos de todo o mundo a uma citação supostamente anti-islâmica feita pelo papa Bento 16 em uma conferência na Alemanha.

Falando de guerra santa em uma universidade alemã, na terça-feira, o papa citou um imperador cristão ortodoxo do século 14 que afirmava que o profeta Maomé só havia trazido "coisas más e desumanas".

As declarações geraram reações iradas em todo o mundo, levando o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, a dizer que Bento 16 nunca teve a intenção de ofender muçulmanos ao repetir aquelas palavras.

Lombardi disse que a Igreja deseja "cultivar uma posição de respeito e diálogo com outras religiões e culturas, e isso claramente inclui o Islã".

Repercussão

Mas a justificafiva não teve o efeito desejado.

Nesta sexta-feira, o governo do Paquistão chamou o embaixador do Vaticano no país para pedir explicações.

Um comunicado do Ministério do Exterior paquistanês classificou os comentários de Bento 16 de "altamente perturbadores" para os muçulmanos.

Horas depois, o Parlamento paquistanês aprovou por unanimidade uma resolução recriminando o papa Bento 16 por suas palavras e exigindo um pedido de desculpas do pontífice.

"Os comentários depreciativos do papa sobre a filosofia da jihad (guerra santa) e do profeta Maomé feriram sentimentos em todo o mundo islâmico e podem gerar um mal-estar entre as religiões", dizia a resolução, citada pela agência de notícias France Presse.

Revolta

O líder da Irmandade Muçulmana do Egito, Mohammed Mardi Akef, disse que as palavras do papa causaram "revolta em todo o mundo islâmico" e representam "crenças erradas e distorcidas que estão sendo disseminadas no Ocidente".

Para Youssef al-Qardawi, um proeminente clérico muçulmano no Catar, ouvido pela agência Reuters, os muçulmanos têm o direito de se sentir ofendidos pelos comentários do papa.

"Queremos que o papa peça desculpas à nação islâmica por ter insultado sua religião, seu profeta e suas crenças", afirmou ele.

No Irã, um influente clérigo, Ahmad Khatami, disse: "É lamentável que o líder religioso dos cristãos tenha tão pouco conhecimento do Islã, e que fale sem vergonha disso".

Os comentários do papa também foram desmerecidos nas preces de sexta-feira no Iraque.

Vaticano

A polêmica em torno das declarações de Bento 16 acontece num dia importante para o Vaticano, quando o cardeal Tarcisio Bertone assume o posto de secretário de Estado.

Nesta sexta-feira, Bento 16 nomeou também para o posto de ministro de Exterior o arcebispo Dominique Mamberti, nascido no Marrocos e radicado na França.

O correspondente da BBC em Roma, David Willey, disse que o papa ficou aborrecido com a interpretação dada a sua palestra foi interpretada.

A conferência onde Bento 16 fez suas declarações tratava das diferenças históricas e filosóficas entre o Islã e o Cristianismo, além da relação entre violência e fé.

Frisando que as palavras não eram suas, o sumo pontífice católico citou um imperador cristão do Império Bizantino, que teria dito: "Mostre-me tudo o que Maomé trouxe de novidade, e encontrarás apenas coisas más e desumanas, como sua ordem de espalhar com a espada a fé que ele pregava".

Durante a palestra, o papa acrescentou que "a violência é incompatível com a natureza de Deus e a natureza da alma".

"A intenção aqui não é fazer uma crítica negativa, mas ampliar nosso conceito de argumentação e sua aplicação. Só assim seremos capazes de um diálogo genuíno entre culturas e religiões, tão necessário nos dias de hoje", concluiu o pontífice.

Visita à Turquia

O papa tem uma viagem à Turquia planejada para o mês de novembro que, segundo o Vaticano, acontecerá como o planejado.

Mas a repercussão das palavras do papa no país - predominantemente muçulmano - não foi boa.

O líder religioso turco Ali Bardakoglu fez questão de lembrar as atrocidades cometidas pelos cruzados romanos contra cristãos ortodoxos e judeus, assim como muçulmanos, na Idade Média.

Ele também afirmou que os comentários de Bento 16 refletiam "um ponto de vista repugnante, hostil e preconceituoso", e afirmou esperar que as palavras não espelhassem "ódio no coração" do papa.

Ira muçulmana
Comentários do papa causam protestos.
Velas com imagem do papa Bento 16Papa na Alemanha
Igreja quer faturar com produtos papais durante visita.
O papa Bento 16À venda
Vaticano disponibiliza fotos de papas na internet.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Bento 16 visita vilarejo natal na Baviera
11 de setembro, 2006 | Notícias
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade