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Bush defende tribunais militares em Guantánamo
Prisioneiros em Guantánamo
Situação em Guantánamo é tema de polêmica nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu nesta sexta-feira a aplicação de leis antiterrorismo que foram rejeitadas por um comitê do Senado dos Estados Unidos.

Na quinta-feira o comitê bipartidário votou contra propostas de Bush que previam, por exemplo, a instalação de tribunais militares em Guantánamo e proteção legal a interrogadores americanos que usassem métodos que violam as Convenções de Genebra.

Nas suas declarações desta sexta-feira, o presidente disse que essas medidas eram vitais para a segurança dos Estados Unidos e exortou os parlamentares a agir de forma "rápida e inteligente".

"Se não fosse por este programa os nossos especialistas em segurança acreditam que a Al-Qaeda e seus aliados teriam sucedido no lançamento de um outro ataque contra o território americano", afirmou Bush.

O comitê acabou aprovando uma legislação alternativa à qual Bush se opunha.

Apoio republicano

A decisão contou com o apoio de quatro senadores do Partido Republicano, ao qual pertence Bush. Os dissidentes foram liderados pelo senador do Arizona John McCain, visto como um possível candidato presidencial nas próximas eleições.

Eles argumentaram que as medidas sugeridas pelo presidente iriam "redefinir" as Convenções de Genebra para permitir um tratamento duro aos prisioneiros mantidos na base de Guantánamo, em Cuba.

Segundo o jornal americano The Washington Post, a decisão do comitê acirra a disputa entre o grupo de McCain com o governo Bush, que espera alterar o texto no Senado, e com a Câmara de Representantes, que deve aprovar a proposta do presidente na semana que vem.

Colin Powell

Os senadores dissidentes ganharam o apoio do ex-secretário de Estado da administração Bush, Colin Powell, que disse, em uma carta, que o mundo está começando a duvidar do que chamou de "base moral da guerra ao terror" promovida pelos Estados Unidos.

"Se não houver clareza, se houver ambigüidade, o programa não irá adiante, e o povo americano estará em perigo", disse Bush.

Na semana passada, Bush admitiu a existência de prisões secretas da CIA, a agência de inteligência americana, fora dos Estados Unidos.

Ele também defendeu um programa da CIA para interrogar suspeitos de extremismo considerados importantes, dizendo que eles são uma fonte de informação vital.

O anúncio foi bastante criticado por organizações de defesa dos direitos humanos.

'Combatentes inimigos'

A divisão entre os republicanos ocorre uma semana depois de Bush ter anunciado planos de reativar tribunais militares, que foram interrompidos em junho.

Caso o Congresso aprove o plano de Bush, suspeitos poderão ir a julgamento em meses. Audiências envolvendo dez suspeitos detidos em Guantánamo já estavam em andamento quando a Suprema Corte tomou sua decisão contra os tribunais militares.

A máxima instância da Justiça americana concluiu que Bush não tem a autoridade para ordenar tais julgamentos, porque entendeu que os procedimentos violavam leis americanas e internacionais a respeito do tratamento de prisioneiros.

No entanto, os juízes da Suprema Corte deixaram o caminho aberto para que o presidente busque aprovação no Congresso para seus planos.

Os detentos de Guantánamo são classificados como "combatentes inimigos", e não como prisioneiros de guerra, mas as novas diretrizes irão garantir a eles proteção pela Convenção de Genebra.

Correspondentes acreditam que a divisão no partido pode prejudicar suas chances nas eleições de novembro.

O Congresso americano tem duas semanas para chegar a um acordo antes de entrar em recesso.

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