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Atualizado às: 11 de agosto, 2006 - 12h50 GMT (09h50 Brasília)
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Protestos deixam quatro mexicanos mortos em Oaxaca
Carro é queimado em protesto em Oaxaca
Protesto há uma semana deixou carros queimados
Quatro pessoas foram mortas nas últimas 24 horas em Oaxaca, ao sul da cidade do México, em meio a tensões entre sindicalistas e o governador do estado, Ulises Ruiz.

Um homem foi morto a tiros nesta quinta-feira, quando engrossava uma marcha de pelo menos 5 mil pessoas que pedia a renúncia de Ruiz.

No dia anterior, três índios da etnia Triqui foram mortos em uma emboscada quando se dirigiam a uma manifestação semelhante. Detalhes do episódio não foram revelados.

Os protestos haviam sido convocados pela Assembleia Popular do Povo de Oaxaca, APPO, que reúne 300 organizações de movimentos sociais, entre eles o sindicato dos professores do estado.

Testemunhas disseram que os tiros que atingiram um manifestante partiram de casas que ladeavam a passeata.

O marido de uma professora foi atingido no pescoço. Dois outros manifestantes ficaram feridos.

A multidão respondeu invadindo um prédio de onde se acreditava que os tiros haviam partido. Os manifestantes aprisionaram quatro suspeitos, que foram entregues à polícia, e atearam fogo à casa.

Os confrontos foram a mais recente tensão entre os sindicalistas e o governador do estado de Oaxaca, Ulises Ruiz. Há dois meses, a APPO – e sobretudo os professores – vem organizando protestos por aumento salariais.

A organização pede ainda a renúncia de Ruiz, que acusam de ter sido eleito de maneira fraudulenta pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o país por mais de 70 anos até a eleição do atual presidente, Vicente Fox.

Em comunicado, o PRI tentou desvencilhar o governador de qualquer culpa pelos incidentes.

Jornalistas, observadores e grupos de direitos humanos afirmam que Ruiz tem adotado mão de ferro contra os professores. Em maio e junho, manifestações de mais de 70 mil professores por aumentos salariais foram duramente reprimidas pela polícia, o que provocou a radicalização do conflito.

As tensões têm trazido inquietude a Oaxaca, um dos pontos altos do turismo cultural do México. Espetáculos de música e dança foram cancelados, e comerciantes já sentem a queda no movimento de visitantes.

Ouvidos pela agência Associated Press, empresários disseram que as perdas nos últimos dois meses já chegam a US$ 50 milhões (R$ 110 milhões).

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