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Atualizado às: 18 de julho, 2006 - 17h59 GMT (14h59 Brasília)
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Anistia faz alerta sobre mortes de mulheres na Guatemala
Maria Isabel Franco, estuprada e assassinada em 2001
O principal suspeito do assassinato de Maria Isabel em 2001 ainda está à solta
A Guatemala ainda não está tomando medidas para lidar com um grande número de assassinatos de mulheres e crianças no país, de acordo com a organização de defesa de direitos humanos Anistia Internacional (AI).

Segundo a organização, houve pouco progresso nesse sentido desde junho de 2005, quando ela fez um apelo para que as autoridades tomassem providências em relação ao problema.

Até 70% dos assassinatos de mulheres não são investigados, e ninguém foi preso em pelo menos 97% dos casos, disse a Anistia.

Algumas autoridades do país reconhecem a seriedade do problema, mas várias ainda tendem a culpar as vítimas.

O mais recente relatório da Anistia Internacional menciona dados da polícia que mostram que 229 mulheres e meninas foram mortas na Guatemala no primeiro semestre de 2006.

Muitos dos assassinatos são particularmente brutais, em que as mulheres são vítimas de violência sexual, mutilação e desmembramento.

A Anistia diz que sabe de apenas duas condenações em um total de 665 casos de assassinatos de mulheres em 2005.

Seqüestro

Entre os casos assinalados no relatório está o de Cristina Hernandez, que foi forçada a entrar em um carro parado na frente de sua casa em 27 de julho de 2005.

Seu pai tentou persegui-los em vão e depois foi à polícia registrar a ocorrência de seqüestro. Ele pediu aos policiais que criassem bloqueios nas estradas para tentar localizar a filha.

Mas os policiais se recusaram a fazer isso alegando que freqüentemente moças fogem com os seus namorados. A busca não pode ser iniciada antes de 24 horas do desaparecimento.

O corpo de Cristina foi encontrado na manhã seguinte. Ela foi baleada quatro vezes, e o cadáver apresentava mordidas.

A sua família, receosa por sua segurança, mudou de casa. Os assassinos da jovem guatemalteca ainda estão à solta.

A Anistia diz que, em muitos casos, não são realizadas nem as investigações mais básicas, não se buscam indícios no local do crime, e nem são preservadas pistas potenciais.

Excesso de casos, falta de equipamento e de investigadores da polícia fazem com que poucos casos sejam investigados de maneira persistente.

A Anistia Internacional está apelando às autoridades guatemaltecas para que melhorem a qualidade das investigações criminais, inclusive dando mais treinamento a investigadores.

O relatório da entidade também pede mais esforços para garantir a segurança de testemunhas de crimes e familiares de vítimas e que os casos de seqüestro de mulheres e meninas sejam seguidos até sua solução.

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