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Atualizado às: 15 de julho, 2006 - 00h37 GMT (21h37 Brasília)
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Ministros de Blair depõem sobre empréstimos de campanha
Ministro da Ciência Lord Sainsbury e Ministro do Comércio Ian McCartney
Ministro da Ciência Lord Sainsbury e Ministro do Comércio Ian McCartney
Pelo menos dois ministros do governo britânico foram interrogados pela polícia, que investiga suspeitas de corrupção envolvendo os três principais partidos políticos do país.

Os partidos Trabalhista, Conservador e Liberal Democrata são suspeitos de concederem títulos de nobreza a empresários em troca por empréstimos para as campanhas eleitorais de 2005.

Os ministros da Ciência, Lorde Sainsbury, e do Comércio, Ian McCartney, foram ouvidos pela Scotland Yard, a polícia de Londres. Ambos os depoimentos foram concedidos espontaneamente, sem ordem judicial.

O Lorde Sainsbury é um milionário do ramo de supermercados e um dos maiores doadores do Partido Trabalhista. Nas últimas eleições, ele doou dois milhões de libras para a campanha (cerca de R$ 8 milhões).

McCartney era o líder do Partido Trabalhista antes das eleições e assinava os formulários que recomendavam a concessão de títulos de nobreza. Na época, porém, ele estava hospitalizado.

O caso

As investigações começaram com acusações de que Tony Blair teria vendido títulos de nobreza a quatro empresários em troca de doações de 4,5 milhões de libras (R$ 18 milhões) ao Partido Trabalhista.

As suspeitas foram levantadas depois que a comissão independente que aprova a concessão de títulos de nobreza detectou irregularidades entre alguns nomeados. A Scotland Yard começou a investigar o caso. A venda de títulos de nobreza é proibida no Reino Unido desde 1925.

Os trabalhistas confessaram terem pegado 14 milhões de libras (R$ 56 milhões) em empréstimos secretos. O Partido Conservador admitiu ter recebido crédito de 16 milhões de libras (R$ 64 milhões) de 13 empresários e os Liberais Democratas disseram que devem 850 mil libras a três credores. Nenhum partido admite, no entanto, ter recebido dinheiro por títulos de nobreza.

Tony Blair disse que ele e o secretário-geral do partido sabiam dos empréstimos secretos, mas que o tesoureiro dos trabalhistas, Jack Dromey, e outros políticos não foram informados. Suspeita-se que os empréstimos foram obtidos por Lord Levy, o principal arrecadador da campanha e amigo próximo do primeiro-ministro.

Levy chegou a ser detido esta semana para interrogatório da polícia. Ele negou as acusações.

Até agora todos os envolvidos negam as acusações e ninguém foi formalmente acusado.

Blair

Uma das promessas de campanha de Blair foi justamente o combate à corrupção na política britânica.

Nesta sexta-feira, Blair se recusou a comentar a investigação policial, após um encontro com o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper. Ele disse que seu trabalho na conferência do G8, que será realizada na Rússia neste final de semana, não será afetado pelo caso.

Especula-se que Tony Blair possa ser chamado pela Scotland Yard para prestar depoimento. Na quinta-feira, o diretor da comissão da Casa dos Comuns que acompanha as investigações da Scotland Yard, Tony Wright, disse que a polícia "não vai deixar de interrogar ninguém".

O porta-voz do primeiro-ministro disse na sexta-feira que Blair não foi chamado a depor. A porta-voz do Partido Trabalhista disse que todos os ministros vão cooperar nas investigações.

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