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Atualizado às: 29 de junho, 2006 - 18h13 GMT (15h13 Brasília)
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Espanha anuncia início de negociações com o ETA

O premiê Jose Luis Zapatero.
Zapatero só não teve apoio do partido do ex-premiê Aznar.
O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou nesta quinta-feira no Parlamento o início das negociações com o grupo separatista basco ETA. No comunicado lido ante os deputados Zapatero disse que o diálogo será “longo, duro e difícil”.

O líder socialista lembrou que é a primeira vez em quase 40 anos de luta armada no país que o ETA paralisa todas as suas ações. Por isso chamou o processo de paz de “oportunidade democrática única”.

O ETA, que declarou cessar-fogo no dia 23 de março, surgiu nos anos 60 como um movimento estudantil de oposição ao governo ditatorial do general Franco.

Com apoio oficial de todos os partidos, menos o conservador Partido Popular do anterior governo Aznar, os socialistas pediram máximo consenso social.

“A paz só será forte se tiver raízes sociais profundas. As regras são respeito à pluralidade e à democracia, unidade e lealdade”, disse Zapatero.

O primeiro-ministro pediu “prudência e discrição” para o diálogo, referindo-se também aos veículos de comunicação, para que evitem especulações sobre as negociações.

Lembrando as vítimas

O comunicado teve ainda muitas alusões às vítimas do ETA: 817 mortos e 84 seqüestrados desde 1959.

“Meu máximo respeito para as vítimas e seus familiares. Merecem toda a honra, dignidade e compreensão.”

Essa referência foi a primeira resposta do governo às críticas da Associação de Vítimas do Terrorismo, que na passada madrugada organizou uma vigília próxima ao parlamento para reivindicar que não haja diálogo com ETA.

Com fotos dos mortos em atentados, velas e flores brancas com manchas vermelhas (dando imagem de sujas de sangue) a associação criou a plataforma “rosas brancas”.

O grupo com cerca de 50 pessoas levou cartazes onde aparecia “negociação em meu nome, não!”.

Responsabilidade do premiê

Essas críticas Zapatero também deu resposta no comunicado: “Assumo como primeiro-ministro e pessoalmente minha responsabilidade por essa esperança de paz. A decisão sobre o diálogo é de responsabilidade exclusiva do governo”.

Sem ser direto, o líder socialista tentou esclarecer ainda duas questões muito criticadas pelos conservadores e vítimas. Qual será o custo político dessa negociação e se o ilegalizado partido Herri Batasuna (apóia o ETA) vai estar na mesa de diálogo.

“A democracia não vai pagar preço algum pela paz. O governo respeitará a lei de partidos; as questões políticas só se resolvem com forças políticas eleitas democraticamente”, disse ele.

Quanto à reivindicação histórica do ETA, de independência do País Basco, citada pela última vez no mais recente comunicado da organização, Zapatero também respondeu, lembrando que qualquer plebiscito sobre a independência é anticonstitucional.

“Os cidadãos bascos têm mais autonomia do que jamais tiveram. Eles escolheram democraticamente aprovando a constituição de 78, inclusive o estatuto de Guernica (legislação do estado basco)”.

O parlamento espanhol será fechado hoje para férias e o governo anunciou que em setembro haverá outro comunicado aos partidos sobre o andamento do diálogo de paz.

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