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França inaugura museu de artes 'não ocidentais' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Paris possui a partir desta terça mais um museu: o do Quai Branly, próximo à Torre Eiffel, inaugurado pelo presidente francês, Jacques Chirac. Com uma coleção de cerca de 300 mil obras, o local apresenta as artes de civilizações da África, Américas (incluindo objetos de tribos indígenas da Amazônia), Ásia e Oceania. O projeto do novo museu foi lançado pelo presidente Chirac em 1.995, logo que assumiu o cargo. O espaço já está sendo chamado pelos parisienses de 'museu Chirac'. Passado colonial Como François Mitterrand, que construiu a pirâmide do Louvre e a Biblioteca Nacional, ou o presidente Georges Pompidou, que criou um museu de arte moderna que leva seu nome, Chirac também pretende, desta forma, marcar sua gestão com um legado cultural e arquitetônico à capital francesa. Chirac é um admirador das artes chamadas "não ocidentais". Ele disse no discurso de inauguração que o novo museu "permite à França homenagear os povos que sofreram violências ao longo da História, povos brutalizados, exterminados por conquistadores ávidos e brutais". O presidente acrescentou também que esses povos "ainda hoje são marginalizados com freqüência pelos avanços inexoráveis da modernidade". Talvez com esse discurso Chirac tenha tentado acabar com algumas polêmicas que surgiram nos últimos anos em relação ao museu, ligadas à lembrança do passado colonialista da França. Candomblé Além disso, o novo local deveria se chamar inicialmente "Museu das Artes Primitivas", mas o termo, considerado por alguns perjorativo por rebaixar a produção cultural de alguns povos, acabou sendo rejeitado e substituído por Quai Branly, endereço às margens do rio Sena onde está situado. A maior parte das 300 mil obras pertencia ao Museu do Homem, entre elas a coleção do célebre antropólogo francês Claude Levi-Strauss, com objetos de tribos indígenas da Amazônia. Outras peças pertenciam ao Museu das Artes Africanas e da Oceania. A coleção que será exibida permanentemente reúne 3,5 mil objetos. Exposições temporárias serão organizadas para permitir que as milhares de outras obras do acervo possam ser mostradas regularmente. Além de peças indígenas do Brasil, o museu também apresenta uma pequena coleção de objetos ligados ao candomblé. Suspenso O museu do Quai Branly foi realizado pelo arquiteto francês Jean Nouvel, o mesmo que construiu o Instituto do Mundo Árabe e a Fundação Cartier de Arte Contemporânea, também em Paris. As obras duraram cinco anos e custaram 232 milhões de euros. O projeto arquitetônico é considerado inovador. O museu é composto de quatro prédios, entre áreas de exposição, ateliês de restauração, serviços administrativos, livraria, entre outros espaços, que totalizam uma área de 40,6 mil metros quadrados. Há diferentes fachadas assimétricas, formadas por caixas gigantes suspensas a 10 metros do solo em diferentes cores, vitrais em losângulos, placas em metal para regular a luminosidade ao estilo "sabre japonês" e também uma parede vegetal de 800 metros quadrados. O prédio do museu propriamente dito tem 220 metros de comprimento e está suspenso por pilares sobre o jardim. Uma grande área verde, com 18 mil metros quadrados e vista para a Torre Eiffel, foi criada por Gilles Clément e também integra o espaço do museu. O Museu do Quai Branly irá abrir ao público na próxima sexta-feira, dia 23 de junho. |
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