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Atualizado às: 04 de junho, 2006 - 01h30 GMT (22h30 Brasília)
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Governo do Irã estuda proposta de acordo
Técnico na usina nuclear de Isfahan
Irã não pretende interromper enriquecimento de urânio
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmedinejad disse neste sábado que o país não pretende negociar o "direito legítimo" de produzir combustível nuclear.

Mas ele acrescentou que o governo iraniano irá analisar a proposta de acordo feita por Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, China e Alemanha.

Ahmedinejad antecipou que qualquer decisão será tomada tendo como base os interesses do Irã.

A proposta de acordo deverá ser entregue ao governo iraniano na segunda-feira pelo representante da União Européia para Assuntos Internacionais, Javier Solana. E pelo que foi antecipado por representantes das seis superpotências, o documento conterá incentivos e ameaças de sanções, na tentativa de convencer o Irã a suspender seu programa nuclear.

Moderação

O presidente Ahmedinejad fez as declarações no santuário erguido em homenagem ao pai da Revolução Islâmica, Aiatolá Khomeini.

Segundo a correspondente da BBC em Teerã, Frances Harrison, as declarações do presidente iraniano foram surpreendentemente moderadas. Ahmedinejad é conhecido por discursos inflamados e declarações contundentes.

A correspondente acrescentou que o tom usado pelo presidente pode ser indicativo de que o governo iraniano percebe que o momento é crucial para as negociações sobre o programa nuclear e daqui para a frente terá que decidir que caminho tomar: se segue a trilha do confronto ou se adota uma posição mais flexível.

Segundo Frances, se o governo iraniano ceder completamente às exigências feitas pelas superpotências, arriscará perder credibilidade junto à população.

Mente aberta

O presidente Mahmoud Ahmedinejad disse que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu a ele, em conversa telefônica, que estudasse a proposta feita pela comunidade internacional com mente aberta, antes de se pronunciar de forma intransigente contra qualquer possibilidade de negociação.

O presidente disse que abrir mão do direito de produzir combustível nuclear para fins pacíficos equivalia a negociar a independência do Irã, e que portanto, o país não poderia ceder a ameaças.

Os detalhes da proposta, preparada pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, ainda não foram divulgados, mas, de acordo com algumas fontes, poderiam incluir a oferta ao Irã de um reator nuclear e a garantia do fornecimento de urânio enriquecido, vital para a produção de combustível nuclear.

Javier Solana deverá divulgar os detalhes da proposta na próxima quinta-feira, em Viena.

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