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Atualizado às: 15 de março, 2006 - 14h11 GMT (11h11 Brasília)
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Saddam Hussein diz que julgamento é uma "comédia"
O ex-líder iraquiano Saddam Hussein
Saddam pediu que povo iraquiano "resista a invasores"
O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein começou sua primeira defesa formal no julgamento em que é acusado por crimes contra a humanidade dizendo que o tribunal é "uma comédia".

O juiz fechou o acesso do público ao julgamento depois que Saddam Hussein fez um apelo ao povo iraquiano para "resistir aos invasores". Depois, o julgamento foi interrompido e deve ser retomado no dia 5 de abril.

Ele está sendo julgado, juntamente com outras sete pessoas, pelas mortes de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982.

Saddam Hussein disse ter ficado aflito ao ser informado recentemente sobre "algo destinado a fazer mal ao povo".

Chefe de Estado

"Minha consciência me diz que o grande povo do Iraque não tem nada a ver com estes atos", disse, numa provável referência aos ataques a bomba a um templo xiita em Samarra, que resultou numa série de confrontos sectários.

Quando o juiz Raouf Abdul Rahman repreendeu Saddam Hussein por usar o julgamento como uma plataforma política, ele respondeu: "Sou o chefe do Estado".

Então, o juiz afirmou: "Você era o chefe do Estado. Agora é um acusado".

Saddam Hussein continuou, alertando os iraquianos quanto a novos ataques sectários: "Vocês vão viver, sem motivo, na escuridão e em rios de sangue".

Antes de fechar a sessão ao público, o juiz disse a ele: "Você está sendo julgado num caso criminal. Pare com seu discurso político".

O ex-líder iraquiano respondeu: "Se não fosse pela política, eu não estaria aqui".

Meio-irmão

No começo desta quarta-feira, um dos meio-irmãos de Saddam Hussein, Barzan Ibrahim Al-Tikriti, ex-chefe do serviço secreto do Iraque, negou ter tomado parte na ação que resultou no massacre em Dujail.

Tikriti está sendo acusado de torturar xiitas apontados como suspeitos de participar de uma tentativa de assassinato de Saddam.

Antigos moradores de Dujail já testemunharam no julgamento e acusaram Tikriti de ter participado de sessões de tortura.

Sessões anteriores do julgamento foram interrompidas por protestos dos acusados.

Se for considerado culpado, o ex-líder iraquiano pode ser condenado à pena de morte.

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