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Atualizado às: 01 de março, 2006 - 17h40 GMT (14h40 Brasília)
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Saddam admite que determinou julgamento
Saddam Hussein no tribunal
Saddam se disse único responsável e pediu libertação de outros acusados
Saddam Hussein admitiu nesta quarta-feira ter determinado o julgamento de 148 xiitas, que foram depois executados.

Mas em tom desafiador, o ex-presidente iraquiano disse que tinha direito de fazer o que fez, porque os xiitas eram suspeitos de tramar um atentado contra ele.

A morte dos xiitas é uma das principais acusações contra Saddam e mais sete acusados, que podem ser condenados à forca - a mesma sentença que tiveram a maioria dos 148 xiitas.

Saddam não admitiu nem negou que tivesse aprovado as execuções, mas se disse o único responsável pelo processo contra os 148, afirmando que os outros acusados deveriam ser libertados.

"Onde está o crime? Onde está o crime?", perguntava Saddam, muito mais calmo do que tem se mostrado desde o início do julgamento, que ele vinha rotulando de show montado pela coalizão de governo xiita e curda, apoiada pelo governo americano.

O dramático discurso de Saddam aconteceu no dia seguinte à apresentação das provas mais fortes contra ele desde que o julgamento começou, há quatro meses: um decreto supostamente assinado por Saddam aprovando a sentença de morte para os 148.

Crimes

O julgamento, que vinha sendo turbulento, tornou-se mais organizado nas duas últimas sessões sob o comando do juiz Raouf Abdel Rahman, que acabou com o boicote da defesa e reprimiu os insultos, gritos e brigas entre Saddam e outros participantes.

Saddam contou ter visto balas de revólver cruzarem o seu olhar e disse que dar ordens para destruir as fazendas dos 148 "não foi um crime porque os proprietários daquelas terras tentaram matar seu chefe de Estado."

"Naquele momento, eu estava no comando. Não tenho o hábito de passar minhas tarefas para as costas dos outros", afirmou Saddam.

Entre os documentos apresentados nesta quarta-feira estavam alguns que indicam que quatro dos acusados de terem planejado o atentado ao ex-presidente foram executados por engano, enquanto outros dois foram libertados por engano.

Outro documento, aparentemente emitido pelo serviço secreto iraquiano, diz que quase 50 dos acusados morreram durante interrogatórios.

Correspondentes acreditam que a nova ordem no julgamento pode aumentar a sua credibilidade junto ao povo iraquiano.

Violência

Do lado de fora do tribunal, pelo menos 94 pessoas foram mortas nos últimos dois dias, em Bagdá.

O ataque mais grave desta quarta ocorreu em uma área predominantemente xiita da cidade, quando um carro-bomba explodiu matando 23 pessoas e deixando várias feridas.

Outras duas explosões também deixaram pelo menos outros três mortos.

Nesta quarta-feira, familiares das mais de 60 vítimas dos atentados da terça-feira lotaram o necrotério de Bagdá para buscar os corpos.

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