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Atualizado às: 06 de março, 2006 - 03h34 GMT (00h34 Brasília)
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Anistia denuncia mais abusos contra presos no Iraque
Prisioneiros em Abu Ghraib, palco do escândalo de torturas
A Anistia Internacional afirma que milhares de presos mantidos pelas forças multinacionals no Iraque continuam a ter seus direitos básicos negados.

Em um relatório divulgado nesta segunda-feira, a respeitada ONG internacional de defesa de direitos humanos denunciou que as lições do escândalo envolvendo a prisão de Abu Ghraib parecem estar sendo ignoradas e que relatos de tortura continuam a "jorrar no Iraque".

As denúncias da Anistia são baseadas em entrevistas com ex-presos.

Militares americanos e britânicos continuam a insistir que prisioneiros no Iraque são tratados de acordo com as normas internacionais.

Presos sem acusação

O relatório de 48 páginas afirma que milhares de iraquianos estão sendo mantidos presos sem terem sido acusados formalmente por nenhum crime, sem processo e sem julgamento.

E pede providências urgentes por parte das forças multinacionais para acabar com abusos de direitos humanos, se há alguma esperança de interromper a escalada de violência sectária no país.

Segundo o relatório, mais de 200 detentos estão em prisões iraquianas por mais de dois anos e quase 4 mil estão presos por mais de um ano.

"Manter este grande número de pessoas sem bases legais é uma grande irresponsabilidade por parte dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha", disse a diretora da Anistia na Grã-Bretanha, Kate Allen.

Exemplos

O relatório menciona o caso de um dentento, Kamal Muhammad, de 43 anos e pai de 11 filhos, mantido sem acusação pelas forças americanas por mais de dois anos.

O irmão de Muhammad disse que ele não recebe alimentos suficientes e já perdeu mais de 20 quilos na prisão, afirma o relatório.

Outros prisioneiros foram libertados "sem explicação, pedidos de desculpas ou reparações depois de meses na prisão".

Também há cada vez mais evidências de tortura aos presos iraquianos pelas forças de segurança do Iraque, apesar de vários escândalos, promessas de investigação e de punições.

Um ex-preso disse à Anistia que apanhou com fios de plástico, levou choques e foi obrigado a ficar em uma sala inundada por água com uma corrente elétrica.

Allen comparou a atual situação com a criada pelo escândalo das fotos mostrando guardas americanos cometendo abusos contra detentos na prisão de Bagdá.

"Há sinais de que as lições de Abu Ghraib não foram aprendidas", disse.

"Não apenas os prisioneiros estão sendo mantidos em desafio às leis internacionais, mas as alegações de tortura continuam a jorrar no Iraque".

De acordo com militares americanos, cada preso recebe um formulário explicando as razões pela qual foram detidos e seus casos são revistos a cada 90 ou 120 dias.

O ministro da Defesa iraquiano disse que alegações estavam sendo tomadas a sério e que observadores internacionais foram convidados a inspecionar os centros de detenção.

A Cruz Vermelha também seria informada sobre cada prisão em 24 horas e a família do preso, notificada.

A Grã-Bretanha "não tem interesse em internar indivíduos que não seja para proteger de ataques, civis e pessoal de segurança no Iraque - além dos militares britânicoss", disse um porta-voz do ministério da Defesa à agência Associated Press.

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