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Atualizado às: 14 de fevereiro, 2006 - 19h30 GMT (17h30 Brasília)
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Paquistaneses recebem contas de casas destruídas por sismo
Venda de celulares aumentou nas áreas atingidas pelo terremoto
Os sobreviventes do terremoto no norte do Paquistão e na região da Cachemira, na Índia, em outubro, podem ter perdido suas casas, entes queridos e seu trabalho, mas ainda têm que pagar as contas de telefone.

Sobreviventes em Balakot, uma cidade devastada no norte do Paquistão, ficaram chocados ao receber contas de telefone no que sobrou de suas casas arruinadas, no início de novembro.

Nas contas, o lembrete tradicional de que os telefones seriam desligados se as contas não fossem pagas. Muita gente se perguntou o que havia sobrado para desligar...

De acordo com a agência de notícias Associated Press, das 1.957 linhas telefônicas existentes antes do terremoto em Balakot, somente 172 voltaram a funcionar.

Sobrevivência

O incidente é só um dos vários exemplos da falta de bom senso que está abalando as administrações das áreas afetadas, disse o correspondente da BBC, Aamer Ahmed Khan.

"A Companhia de Telecomunicações do Paquistão Ltda. (PTCL) não é a única a se mostrar insensível em relação à área atingida pelo desastre", afirmou Khan.

Moradores de aldeias de tendas em Muzaffarabad e em torno da cidade que é a capital da Cachemira administrada pelo Paquistão, afirmam que encontram o mesmo tipo de falta de consciência sobre a situação em que vivem todos os dias.

"Se manifestações fossem permitidas, você veria dezenas de protestos todos os dias", diz um morador irado.

Na primeira semana de janeiro, após nevascas e chuvas, autoridades locais de Muzaffarabad cortaram a eletricidade da aldeia de Dewan, a maior da cidade, porque estava usando eletricidade demais.

As mesmas autoridades tinham garantido eletricidade de graça até o dia 31 de março. Mas porque acender fogueiras ou usar aquecedores a gás não é permitido dentro das tendas por razões de segurança, muitos dos sobreviventes compraram aquecedores elétricos.

O aumento do consumo, após a primeira onda de frio nas aldeias que viraram cidades de tendas, fizeram as autoridades repensarem o gesto de boa vontade para com os desabrigados.

Apesar do corte deliberado ser negado pelas autoridades, alguns funcionários da empresa fornecedora afirmaram que não havia eletricidade suficiente.

Os moradores não acreditam, afirmando que a eletricidade ainda não foi restaurada em 40% das aldeias, portanto é impossível que esteja havendo problemas com aumento da demanda.

"Agora precisamos parar e pensar," disse Sardar Riaz, o gerente de programas do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pinud) em Muzaffarabad.

Ehteshamul Haq, da Organização Internacional da Migração, concorda: "É preciso sair da mentalidade de ajuda de emergência e começar a nos concentrar em políticas de longo prazo".

Um exemplo é como o Exército está lidando com o problema da moradia em altitudes relativamente baixas.

"O que quer que nos dão, distribuímos entre todos, exatamente como fizemos com a comida nos dias que se seguiram ao terremoto", afirma um oficial de um batalhão de infantaria.

Agora o Exército está distribuindo folhas de zinco para construção de casas em áreas rurais.

Se a distribuição de comida impediu levantes nas áreas rurais e garantiu que cada família recebesse pelo menos uma refeição ao dia, agora "são necessárias entre 14 a 16 folhas de zinco para construir uma casa e cada família só recebeu seis", diz Mohammed Hussain, um fazendeiro na aldeia de Fatehjang Baandi, próxima a Muzaffarabad.

Para as autoridades, Fatehjang Baandi já recebeu os materiais de reconstrução de casas, mas ninguém na aldeia recebeu o suficiente para erguer uma casa de zinco.

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