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Atualizado às: 08 de fevereiro, 2006 - 17h33 GMT (15h33 Brasília)
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Chirac condena republicação de charges de Maomé
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O presidente da França, Jacques Chirac, condenou como "clara provocação" as decisões de republicar as charges com a imagem do profeta Maomé em jornais europeus.

Chirac afirmou que a liberdade de expressão é um dos pilares da França, mas que não pode ser abusada. Ele pediu tolerância e que todas as crenças sejam respeitadas.

"Qualquer assunto que possa atingir convicções de outras pessoas, principalmente convicções religiosas, deveria ser evitado", disse ele. "Liberdade de expressão precisa ser exercida com responsabilidade. Condeno toda manifestação provocativa que possa perigosamente aguçar paixões."

A revista satírica francesa Charlie Hebdo foi a última a exibir os desenhos, após obter na Justiça na terça-feira o direito de seguir adiante com seus planos de republicar as charges da discórdia.

Várias organizações islâmicas francesas tentavam impedir a publicação, afirmando se tratar de um insulto à sua religião. O islã proíbe representações gráficas de Maomé ou de Deus (Allah).

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu nesta quarta-feira que autoridades no mundo todo previnam ataques a missões diplomáticas.

"Peço que os governos do mundo todo parem a violência, sejam respeitosos, protejam a propriedade, protejam a vida de diplomatas inocentes que estão servindo seus países no exterior."

Protestos

A polícia do Afeganistão matou quatro manifestantes nesta quarta-feira ao disparar contra a multidão que tentava invadir uma base militar americana na cidade de Qalat. Outras 20 pessoas ficaram feridas.

O episódio eleva a 11 o número de mortos em protestos no país contra a publicação de charges com a imagem do profeta Maomé em jornais europeus.

As manifestações são em resposta a caricaturas publicadas inicialmente num jornal da Dinamarca – e depois republicadas em outros diários europeus – que associam Maomé ao terrorismo islâmico.

O primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, disse à BBC que não é tarefa do governo censurar a mídia.

"O governo não pode interferir nos meios de comunicação", disse ele. "Mas acho que esses eventos ressaltaram a importância de combinar a liberdade de expressão com o respeito por crenças religiosas."

Apesar da revolta nas ruas de vários países muçulmanos, os jornalistas responsáveis pela publicação das charges afirmam estar defendendo a liberdade de expressão.

Pedido de calma

Na terça-feira, autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Européia, além de um grupo muçulmano, pediram calma à comunidade islâmica internacional.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, chamou as charges de ofensivas, mas também afirmou que está alarmado com a reação violenta no mundo todo.

O primeiro-ministro da Dinamarca, onde as charges foram publicadas pela primeira vez, afirmou que o incidente levou a uma "crise global".

A declaração de Annan foi feita em conjunto com o chefe de Política Exterior da União Européia, Javier Solana, e o chefe da Organização para Conferência Islâmica, Ekmelettin Ihsanoglu, e pediu moderação.

"Acreditamos que liberdade de expressão compreende responsabilidade e ponderação e deve respeitar as crenças e dogmas de todas as religiões. Mas também acreditamos que os recentes atos violentos ultrapassam os limites do protesto pacífico", afirmaram os líderes na declaração.

Protesto no AfeganistãoCharges de Maomé
Protestos continuam após republicação.
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