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Atualizado às: 05 de fevereiro, 2006 - 03h07 GMT (01h07 Brasília)
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Famílias de vítimas de navio enfrentam polícia no Egito
Sobreviventes chegam ao porto de Hurghada, no Egito
Sobreviventes foram levados ao porto egípcio de Hurghada
Familiares das pessoas que desapareceram após o naufrágio do navio Salam 98 entraram em choque com a polícia egípcia, neste sábado, no porto de Safaga, no Mar Vermelho.

Frustrados com a falta de informações, muitos familiares começaram a atirar pedras contra os policiais que guardavam as instalações portuárias.

A polícia reagiu. No confronto, usou gás lacrimogênio e cassetetes para dispersar a multidão que se encontrava no local.

A revolta foi justificada por alguns integrantes do protesto pelo fato de que eles não estão recebendo detalhes sobre as tentativas de resgates das cerca de mil pessoas ainda desaparecidas.

Após mais um dia de buscas, as esperanças de encontrar vivas as vítimas ainda desaparecidas estão diminuindo rapidamente.

O navio afundou com mais de 1,4 mil pessoas a bordo quando fazia a travessia entre Duba, na Arábia Saudita, e o porto de Safaga.

Segundo as autoridades, cerca de 380 sobreviventes e 185 corpos já foram retirados das águas frias.

Alguns dos sobreviventes relataram ter visto incêndios na embarcação por várias horas antes do naufrágio.

Um porta-voz da Presidência egípcia, embaixador Suleiman Aued, disse na TV que o presidente Hosni Mubarak está recebendo relatórios todas as horas e que já ordenou a abertura de uma investigação.

"O presidente oferece condolências às famílias das vítimas", disse o porta-voz.

Segundo Aued, "a velocidade com que o navio afundou e o fato de que não havia botes salva-vidas suficientes a bordo confirmam que havia um problema de segurança. Mas não podemos antecipar os resultados da investigação", disse ele à TV egípcia.

Ventos

Especialistas em navegação marítima disseram que os fortes ventos e o mar revolto podem ter ajudado a afundar a embarcação.

Sobreviventes sofrendo os efeitos do frio intenso começaram a ser levados para terra firme no porto egípcio de Hurghada neste sábado.

Um deles, Nabil Zirky, disse à agência Associated Press que a tripulação do navio decidiu continuar a viagem apesar de um incêndio a bordo. "É negligência", afirmou.

Segundo a Associated Press, outro sobrevivente gritou: "Era como o Titanic pegando fogo".

Um egípcio de 34 anos, Raafat al-Sayyed, disse à agência France Presse que "fumaça começou a sair dos motores" duas horas após o navio deixar o porto saudita de Duba, na quinta-feira à noite.

A maioria dos passageiros era de egípcios que trabalhavam na Arábia Saudita. A tripulação, de cerca de cem pessoas, também seria quase toda composta de egípcios.

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