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Atualizado às: 22 de dezembro, 2005 - 11h04 GMT (09h04 Brasília)
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Saddam diz que EUA 'mentem' ao negar tortura
O ex-presidente do Iraque Saddam Hussein
'Fui golpeado em todas as partes do meu corpo', disse Saddam
O ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, disse nesta quinta-feira durante seu julgamento em Bagdá que o governo dos Estados Unidos diz "mentiras" ao negar as alegações que ele fez de haver sofrido tortura nas mãos de forças americanas.

Saddam fez as alegações na quarta-feira, quando foi retomado o seu julgamento na capital iraquiana, Bagdá, e voltou a repeti-las na sessão desta manhã.

Ele afirmou que não se deve acreditar nos Estados Unidos e usou como argumento o fato de nunca terem sido comprovadas as alegações americanas de antes da guerra no Iraque de que o país possuía armas de destruição em massa. Nenhuma foi encontrada até hoje.

"Nós não mentimos. É a Casa Branca que mente", afirmou Saddam no tribunal.

Na quarta-feira Saddam disse que foi golpeado em todas as partes de seu corpo e que os maus-tratos o deixaram com marcas. "(...) Posso ferir os olhos deles (dos americanos) com minhas próprias mãos, disse"

Christopher Reid, diplomata da embaixada americana em Bagdá, rebateu as acusações de Saddam Hussein, afirmando à rede de TV CNN que elas são "totalmente falsas".

A sessão desta quinta-feira é a sétima desde que o julgamento do ex-presidente e de outros sete réus começou. O tribunal volta a ouvir testemunhas de acusação.

Os réus são responsabilizados pelo massacre de 148 muçulmanos xiitas no vilarejo de Dujail, em 1982.

Silêncio

Antes desta denúncia de maus-tratos desta quarta-feira, Saddam permaneceu quase todo o dia em silêncio, escutando o depoimento de três testemunhas contra ele e outros sete integrantes de seu regime.

Apontando para os seus colegas acusados no julgamento, Saddam declarou em tom enfático: "Fomos agredidos e torturados pelos americanos, cada um de nós".

Nem todas as testemunhas têm feito depoimentos de forma convencional. Durante o julgamento, uma testemunha falou por meio de uma gravação e outra, temendo represálias, falou escondida atrás de uma cortina.

A sessão desta quarta-feira do julgamento foi a primeira desde que milhões de iraquianos votaram em eleições parlamentares.

Protestos

O julgamento de Saddam Hussein tem sido marcado por protestos contra sua legitimidade, e interrupções freqüentes para argumentação jurídica.

Até agora Saddam Hussein tem mantido uma atitude de desafio, recusando-se a admitir que ele não é mais presidente do Iraque e exigindo um tratamento melhor nas mãos das forças americanas.

Ramsey Clark, um ex-procurador-geral americano e que integra a defesa do ex-líder iraquiano, não voltou para Bagdá para esta sessão por causa de temores relacionados à segurança.

Na terça-feira, o advogado da defesa e ex-ministro da Justiça do Catar Najib Al-Nuami disse que foi ameaçado por multidões quando chegava na capital iraquiana.

Dois advogados da defesa foram mortos pouco depois do início do julgamento.

Saddam Hussein e os outros sete réus negam as acusações contra eles. O presidente deposto do Iraque deverá enfrentar mais acusações ligadas a seu regime no país.

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