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Atualizado às: 29 de novembro, 2005 - 04h35 GMT (02h35 Brasília)
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Defesa de Saddam procura substitutos para assassinados
Saddam Hussein durante julgamento
Saddam está sendo julgado devido ao massacre de xiitas em Dujail
O julgamento de Saddam Hussein e sete outros acusados de crimes no antigo regime iraquiano foi cancelado por uma semana para permitir que a defesa encontro substitutos para dois dos advogados da equipe que foram assassinados nas últimas semanas no Iraque.

A equipe que está defendendo Saddam Hussein não concretizou a ameaça de boicotar o tribunal, depois de receber garantias de segurança. O julgamento deverá ser retomado no dia 5 de dezembro.

O caso foi retomado nem Bagdá na segunda-feira e uma testemunha deu seu depoimento por meio de uma gravação de vídeo. Foi a primeira testemunha de acusação.

Na audiência, a promotoria começou a apresentar o caso contra Saddam e sete integrantes de seu governo, acusados pelo massacre na cidade de Dujail, em 1982, quando 148 xiitas foram mortos depois de uma tentativa fracassada de assassinar o ex-líder do Iraque.

O tribunal ouviu o depoimento gravado de Wadah Ismael Al-Sheik, um ex-agente de inteligência iraquiano que morreu recentemente. Ele havia investigado a tentativa de assassinato contra Saddam.

O ex-presidente voltou a desafiar os juízes no tribunal, depois de um intervalo de quase seis semanas no julgamento. Ele reclamou com o juiz presidente pelo modo como foi tratado pelos guardas, afirmando que foi negada a ele uma caneta para assinar os documentos legais.

Os oito acusados se declararam inocentes das acusações.

Testemunha

Em seu depoimento gravado, Wadah Ismael al-Sheik disse que cerca de 400 pessoas foram detidas depois da tentativa de assassinato de Saddam Hussein. A emboscada, ocorrida na década de 80, teria sido realizada por entre sete e 12 pessoas.

Al-Sheik disse que famílias inteiras foram reunidas e levadas para a prisão de Abu Ghraib, em Bagdá, e outro centro de detenção ao sul da capital iraquiana.

Ele também afirmou que o ex-vice-presidente, Taha Yassin Ramadan, também sendo julgado, ordenou a destruição dos pomares de Dujail, pois alegava-se que os suspeitos de terem tentado contra a vida de Saddam estariam escondidos nos pomares.

Saddam está sendo julgado no Tribunal Especial Iraquiano, construído especialmente para o julgamento na chamada Zona Verde.

Ele foi o último a entrar no tribunal, vestindo um terno escuro e carregando uma cópia do Corão, o lívro sagrado dos muçulmanos.

Reclamações

Por ordem do juiz, os acusados não usaram correntes ou algemas dentro do tribunal.

Em suas aparições anteriores no tribunal, Saddam havia se recusado a reconhecer a autoridade do juiz.

Muitos xiitas querem que Saddam seja executado

Nesta segunda-feira ele voltou a discutir com as autoridades, afirmando que teve que subir os quatro andares do prédio pelas escadas, já que os elevadores estão quebrados.

Ele também reclamou por ter sido escoltado por "guardas estrangeiros".

Em uma discussão com o juiz presidente do tribunal, Saddam reclamou porque os guardas confiscaram sua caneta, impossibilitando-o de assinar qualquer documento.

"Vou alertá-los sobre o problema", disse o juiz Rizgar Mohammed Amin.

"Não os alerte! Ordene-os. Você é iraquiano, você é soberano e eles são invasores, estrangeiros e ocupantes", disparou Saddam.

Acusações

O julgamento é o primeiro do que pode ser uma série de acusações de abusos contra direitos humanos cometidos no regime de Saddam Hussein.

Se considerado culpado, Saddam pode ser executado.

Grande parte dos 40 dias de intervalo no julgamento foi dominada por questões de segurança.

O ex-procurador-geral dos Estados Unidos Ramsey Clark, um crítico do tribunal especial, se uniu à equipe de defesa.

Clark, de 77 anos, viajou da capital da Jordânia, Amã, para Bagdá no domingo e disse que quer proteger os direitos de Saddam.

"Um julgamento justo neste caso é imperativo para a verdade histórica", disse ele à agência de notícias Reuters.

O Americano Clark é um dos críticos do tribunal que julga Saddam

Clark, que fez parte do governo americano nos anos 1960, durante a gestão do presidente Lyndon Johnson, já descreveu o tribunal especial formado para julgar membros do antigo regime iraquiano como uma "criação da ocupação militar americana".

As identidades de quatro dos cinco juízes do tribunal foram mantidas em segredo por questões de segurança, e cerca de 35 testemunhas devem prestar seus depoimentos atrás de cortinas, para que sejam protegidas contra possíveis represálias.

Também na véspera do julgamento, a polícia iraquiana anunciou que oito pessoas foram presas por planejarem matar o juiz que preparou o processo contra o ex-líder iraquiano.

Protestos

Centenas de pessoas participaram de uma manifestação também nesta segunda-feira na cidade de Tikrit em favor de Saddam Hussein.

Os manifestantes, muitos dos quais carregavam fotos e cartazes de Saddam, pediram a suspensão do julgamento.

Por outro lado, em Dujail, ao norte de Bagdá, centenas de xiitas tomaram as ruas exigindo a execução do ex-líder.

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