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Julgamento de Saddam ouve 1ª testemunha | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A primeira testemunha de acusação foi ouvida nesta segunda-feira no julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, que está ocorrendo em Bagdá. Na audiência, a promotoria começou a apresentar o caso contra Saddam e sete integrantes de seu governo, acusados pelo massacre na cidade de Dujail, em 1982, quando 148 xiitas foram mortos depois de uma tentativa fracassada de assassinar o ex-líder do Iraque. O tribunal ouviu o depoimento gravado de Wadah Ismael Al-Sheik, um ex-agente de inteligência iraquiano que morreu recentemente. Ele havia investigado a tentativa de assassinato contra Saddam. O ex-presidente voltou a desafiar os juízes no tribunal, depois de um intervalo de quase seis semanas no julgamento. Ele reclamou com o juiz presidente pelo modo como foi tratado pelos guardas, afirmando que foi negada a ele uma caneta para assinar os documentos legais. Os oito acusados se declararam inocentes das acusações. O julgamento de Saddam foi suspenso e deve ser retomado no próximo dia 5 de dezembro. Testemunha Pelo menos quatro advogados de defesa não compareceram à audiência desta segunda-feira, mas o advogado de Saddam esteve presente. Não está claro porque os advogados não compareceram, nem quem eles defendiam exatamente. Os advogados haviam ameaçado boicotar a audiência, depois que dois deles foram assassinados e vários outros foram ameaçados de morte, mas na semana passada mudaram de idéia depois que a segurança foi reforçada. Saddam está sendo julgado no Tribunal Especial Iraquiano, construído especialmente para o julgamento na chamada Zona Verde. Ele foi o último a entrar no tribunal, vestindo um terno escuro e carregando uma cópia do Corão, o lívro sagrado dos muçulmanos. Reclamações Por ordem do juiz, os acusados não usaram correntes ou algemas dentro do tribunal. Em suas aparições anteriores no tribunal, Saddam havia se recusado a reconhecer a autoridade do juiz.
Nesta segunda-feira ele voltou a discutir com as autoridades, afirmando que teve que subir os quatro andares do prédio pelas escadas, já que os elevadores estão quebrados. Ele também reclamou por ter sido escoltado por "guardas estrangeiros". Em uma discussão com o juiz presidente do tribunal, Saddam reclamou porque os guardas confiscaram sua caneta, impossibilitando-o de assinar qualquer documento. "Vou alertá-los sobre o problema", disse o juiz Rizgar Mohammed Amin. "Não os alerte! Ordene-os. Você é iraquiano, você é soberano e eles são invasores, estrangeiros e ocupantes", disparou Saddam. Acusações O julgamento é o primeiro do que pode ser uma série de acusações de abusos contra direitos humanos cometidos no regime de Saddam Hussein. Se considerado culpado, Saddam pode ser executado. Grande parte dos 40 dias de intervalo no julgamento foi dominada por questões de segurança. O ex-procurador-geral dos Estados Unidos Ramsey Clark, um crítico do tribunal especial, se uniu à equipe de defesa. Clark, de 77 anos, viajou da capital da Jordânia, Amã, para Bagdá no domingo e disse que quer proteger os direitos de Saddam. "Um julgamento justo neste caso é imperativo para a verdade histórica", disse ele à agência de notícias Reuters.
Clark, que fez parte do governo americano nos anos 1960, durante a gestão do presidente Lyndon Johnson, já descreveu o tribunal especial formado para julgar membros do antigo regime iraquiano como uma "criação da ocupação militar americana". As identidades de quatro dos cinco juízes do tribunal foram mantidas em segredo por questões de segurança, e cerca de 35 testemunhas devem prestar seus depoimentos atrás de cortinas, para que sejam protegidas contra possíveis represálias. Também na véspera do julgamento, a polícia iraquiana anunciou que oito pessoas foram presas por planejarem matar o juiz que preparou o processo contra o ex-líder iraquiano. Protestos Centenas de pessoas participaram de uma manifestação também nesta segunda-feira na cidade de Tikrit em favor de Saddam Hussein. Os manifestantes, muitos dos quais carregavam fotos e cartazes de Saddam, pediram a suspensão do julgamento. Por outro lado, em Dujail, ao norte de Bagdá, centenas de xiitas tomaram as ruas exigindo a execução do ex-líder. |
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