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Atualizado às: 24 de novembro, 2005 - 19h09 GMT (17h09 Brasília)
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Justiça ordena nova prisão domiciliar de Pinochet
Augusto Pinochet
Pinochet também é acusado de abusos contra os direitos humanos
A Justiça ordenou que o general Augusto Pinochet seja colocado novamente em prisão domiciliar, desta vez devido ao processo relativo ao desaparecimento de dissidentes políticos durante o governo da junta militar chefiada pelo general no Chile, entre 1973 e 1990.

O juiz Victor Montiglio acusou formalmente Pinochet nesta quinta-feira pelo suposto envolvimento no desaparecimento de dissidentes, parte de um caso de abuso de direitos humanos no Chile.

Ao todo são 119 desaparecidos na chamada Operação Condor em 1975.

A nova ordem de prisão domiciliar foi divulgada apenas horas depois de outra corte de Justiça ter autorizado a libertação, sob fiança, de Pinochet de outra ordem de prisão domiciliar.

Seus advogados concordaram em pagar uma fiança de US$ 11,5 mil (o equivalente a cerca de R$ 25,7 mil) por dia.

Na quarta-feira Pinochet foi colocado em prisão domiciliar acusado de evasão fiscal e fraudes, relativas a contas bancárias secretas no exterior.

O juiz Carlos Cerda acusa Pinochet de depositar uma quantia estimada em US$ 27 milhões de dólares (o equivalente a cerca de R$ 60,4 milhões) em contas secretas no exterior, registradas sob nomes falsos.

Os advogados não apenas obtiveram a liberação do general, como também conseguiram reduzir pela metade o valor inicial da fiança, definido em US$ 23 mil.

Documentos falsos

O general, que completará 90 anos nesta sexta-feira, também é acusado de falsificar documentos e passaportes para ajudá-lo a abrir contas em mais de 100 bancos no exterior e de omitir bens em sua declaração de renda.

Investigações iniciais tinham detectado fundos secretos do general no banco Riggs nos Estados Unidos.

Cerda ordenou a prisão de Pinochet depois de questioná-lo três vezes nas duas últimas semanas sobre as acusações de falsificação e evasão fiscal.

De acordo com a sentença de Cerda, o general chileno evadiu o equivalente a US$ 2,4 milhões em recursos de impostos entre 1980 e 2004.

Abusos aos direitos humanos

Em um inquérito separado, Pinochet enfrenta acusações ligadas à Operação Colombo, quando 119 ativistas do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionário) desapareceram em 1975 enquanto estavam sob a custódia do Estado.

A Justiça tem tentado julgar o general Pinochet por outras acusações de abusos contra os direitos humanos durante o período em que chefiou a junta militar que governou o Chile entre 1973 e 1990.

Porém, ele tem sido considerado inapto para comparecer aos julgamentos sob a alegação de que sua saúde está muito frágil.

Agora, entretanto, os médicos dizem que Pinochet está apto a comparecer aos tribunais.

Mais de 3 mil pessoas morreram por causa da violência política no Chile durante o regime militar, segundo conclusão de um inquérito oficial.

O general teve anulada sua imunidade como ex-chefe de Estado, o que permitiu à Justiça formalizar uma série de acusações contra ele.

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