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Atualizado às: 16 de setembro, 2005 - 19h58 GMT (16h58 Brasília)
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Fala de Musharraf sobre estupro causa revolta
Mulheres protestando em Karachi
Mulheres acusam Musharraf de não defendê-las contra abusos
Grupos de mulheres e ativistas dos direitos civis protestaram nesta sexta-feira em Karachi, no sul do Paquistão, contra os comentários feitos pelo presidente Pervez Musharraf sobre vítimas de estupro.

Em entrevista publicada pelo Washington Post na última terça-feira, 13 de setembro, o presidente paquistanês declarou que “muitas pessoas dizem que, se você quer viajar para fora do país, conseguir um visto para o Canadá ou cidadania, deixe ser estuprada”.

Musharraf disse que o estupro era uma “questão de fazer dinheiro”.

Mukhtar Mai, uma conhecida vítima de estupro no Paquistão, disse à BBC que nenhuma mulher se sujeitaria a “tal horrenda experiência” para fazer dinheiro.

Na capital paquistanesa, 19 grupos de mulheres e ativistas de direitos civis expressaram sua revolta contra as declarações de Musharraf segurando cartazes, tais como um com a frase “quem quer ser milionário, apenas seja estuprado”.

“Abaixo o chauvinismo” era, também, uma das palavras de ordem ouvidas nos gritos das mulheres durante o protesto.

O primeiro-ministro do Canadá, Paul Martin, e a Anistia Internacional também condenaram os comentários do presidente paquistanês.

Pescador pede justiça

Um pescador, Sumar Mallah, cuja filha de 5 anos foi estuprada e morta no último dia 5 de setembro, também participou da manifestação.

“A polícia e os estupradores têm insistido que eu aceite dinheiro e esqueça o que ocorreu com minha filha. Nunca farei acordo por dinheiro. Eu quero justiça”, disse Mallah.

Os críticos do presidente dizem que ele fala da boca pra fora quando declara combater os abusos contra as mulheres, centenas das quais são estupradas e assassinadas todos os anos no Paquistão.

A despeito de o governo afirmar que faz muito para ajudar as mulheres, muitas daquelas que tentam registrar casos de estupro e violência alegam que isso é muito difícil no Paquistão, dizem os ativistas.

Um correspondente da BBC em Islamabad, capital do país, diz que a atenção dada pelos grupos de mulheres ao tema do estupro está danificando a imagem do Paquistão no exterior.

Recentemente, Mukhtaran Mai, que voi vítima de uma gangue de estupradores, foi impedida pelo governo de viajar aos Estados Unidos para falar de sua experiência.

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